Tubarão-martelo é avistado próximo a crianças em praia do litoral paulista
Um tubarão foi flagrado nadando perto de crianças na Praia das Astúrias, localizada em Guarujá, no litoral de São Paulo. O registro foi feito pelo empresário Marcelo Tadeu, que filmou o animal marinho no último sábado (11), no Canto das Galhetas. Segundo ele, ninguém se feriu durante o ocorrido.
Empresário relata momento do avistamento
Marcelo Tadeu contou que havia acabado de sair da água após passar aproximadamente três horas surfando. "Na hora que fui para o carro, vi [o que pareceu ser] um galho. Pensei comigo: 'Será que é um galho ou aquele tubarão?'. Logo saquei o celular e comecei a filmar. Era ele [o animal]", lembrou o autor do vídeo.
O empresário afirmou ter ficado preocupado com a presença das crianças no local, mas ressaltou que o tubarão deixou a área logo depois, seguindo em direção ao alto mar. Esta não foi a primeira vez que ele avistou o animal: na última quarta-feira (8), Tadeu disse ter visto o mesmo tubarão da sacada de sua residência, no Morro da Caixa D'Água, a aproximadamente 500 metros da costa.
Especialista analisa imagens e tranquiliza banhistas
A pedido do g1, o biólogo e professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Otto Bismarck Gadig, analisou as imagens. Ele ressaltou que, pela distância em que foram registradas, não é possível determinar a espécie com precisão, mas explicou que as espécies de tubarão-martelo registradas na região são Sphyrna lewini e Sphyrna zygaena.
"Pelo formato que aparece da nadadeira dorsal, da ponta do rabo atrás, e o padrão de nadar, é um tubarão-martelo, provavelmente. Um tubarão-martelo de tamanho bom", acrescentou o especialista.
Otto ainda destacou que os exemplares da Sphyrna lewini costumam frequentar águas costeiras do estado de forma recorrente no verão, com o objetivo de se reproduzirem. Já os tubarões da espécie Sphyrna zygaena costumam se reproduzir no inverno.
"Eles não representam nenhum perigo para os banhistas. Os tubarões-martelos, não só aqui, mas em qualquer lugar do mundo, raramente têm acidentes registrados", disse Gadig. Por fim, ele afirmou que, nos dois casos, a pesca e comercialização é proibida, pois ambas as espécies estão ameaçadas de extinção e seus exemplares podem chegar a mais de três metros.
Autoridades não registraram ocorrências
O g1 entrou em contato com a Prefeitura de Guarujá e com o Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar), em busca de informações sobre eventuais acidentes envolvendo o animal, mas nenhuma ocorrência foi registrada. A situação reforça a afirmação do especialista sobre a baixa periculosidade desses animais para humanos.
O avistamento serve como um alerta para a presença de fauna marinha nas praias, mas também destaca a importância da conservação dessas espécies, que desempenham um papel crucial no ecossistema oceânico.



