Na primeira segunda-feira de maio, Nova York respira diferente. Há uma eletricidade no ar, um tipo de ansiedade que só a moda — em seu estado mais teatral — é capaz de provocar. É quando a escadaria do museu Metropolitan se transforma em passarela e, ao mesmo tempo, uma espécie de altar para receber o olimpo fashion, que não só dita tendências, mas estabelece narrativas visuais inteiras. Este ano, o Met Gala acontece no dia 5 de maio, como o grande espetáculo da indústria, obviamente com todo seu mistério cuidadosamente preservado e sua obsessão por excessos calculados. Antes, porém, relembramos 15 looks que ajudaram a construir essa mitologia — aqueles que fizeram o coração acelerar, os olhos arregalarem e a moda, de fato, acontecer.
Rihanna (2018, Maison Margiela)
Poucas vezes um tema foi interpretado com tanta precisão e irreverência. Vestida de papisa fashion com criação de John Galliano para a Maison Margiela, Rihanna seguiu à risca o dress code “Heavenly Bodies”, com direito a mitra cravejada e capa bordada — look que parecia saído de um conclave couture. Foi moda como manifesto, com direito a bênção estética.
Princesa Diana (1996, Dior)
Em sua única aparição no baile, a princesa Diana chegou silenciosa, mas inesquecível. O slip dress azul-marinho de Christian Dior, também assinado por Galliano, era a tradução perfeita de sua nova fase: livre, sofisticada e dona de si. Sem tiara, sem protocolo — só presença.
Zendaya (2024, Maison Margiela)
A mestre do method dressing levou o conceito ao ápice. Em um vestido etéreo de Galliano para a Maison Margiela, Zendaya encarnou o próprio tempo — efêmero, belo e absolutamente inquietante. Abrir e fechar o tapete vermelho com dois looks distintos? Só ela.
Lady Gaga (2019, Brandon Maxwell)
Quatro looks, uma entrada, zero tédio. Lady Gaga transformou o tapete em performance, trocando camadas de look de Brandon Maxwell como quem vira páginas de um roteiro fashion no seu estado mais puro — e divertido.
Anne Hathaway (2015, Ralph Lauren)
Entre o futurista e o glam clássico, o vestido dourado da Ralph Lauren parecia prever uma tendência que só seria celebrada anos depois. Anne Hathaway, porém, sempre chega antes — mesmo quando ninguém percebe.
Madonna (2018, Jean Paul Gaultier)
Em 2018, Madonna mergulhou no imaginário católico com um look de Jean Paul Gaultier que parecia condensar décadas de provocação estética e religiosa em um só gesto. Véu, cruzes, rendas e uma aura quase litúrgica transformaram sua entrada em algo próximo de um ritual. Não era fantasia, era discurso sobre fé, poder, sexualidade e controle. Em um baile onde muitos interpretam o tema, Madonna reescreveu o evangelho fashion.
Blake Lively (2018, Versace)
Se o Met Gala tivesse realeza oficial, Blake Lively seria coroada sem contestação. Seu vestido da Versace levou mais de 600 horas para ficar pronto — e cada minuto valeu. Bordados dourados, cauda monumental e uma construção quase arquitetônica fizeram dela uma espécie de santa barroca moderna.
Mary-Kate Olsen e Ashley Olsen (2017, vintage)
As irmãs mais enigmáticas da moda fizeram do vintage um statement. Vestidos de renda, camadas de colares e uma estética boho quase espectral da Commes des Garçons criaram um diálogo sutil com Rei Kawakubo. Era história, nostalgia e vanguarda no mesmo look.
Kate Moss (2009, Marc Jacobs)
Kate Moss, eterna rainha cool, deixou o minimalismo de lado e mergulhou no glamour dourado. Em um mini vestido lamê e turbante à la Elizabeth Taylor de Marc Jacobs, a supermodelo provou que sabe ser musa e camaleoa como poucas.
Zoë Kravitz (2021, Saint Laurent)
Quase nada — e tudo. O vestido de cristais da Saint Laurent usado por Zoë Kravitz desenhava o corpo como uma segunda pele cintilante. Minimalismo? Talvez. Impacto? Total.
Lily-Rose Depp (2019, Chanel)
Herdeira estética de Karl Lagerfeld, Lily-Rose Depp revisitou os arquivos da Chanel com um vestido preto adornado por correntes douradas. Jovem, sexy, mas profundamente clássico.
Naomi Campbell (1995, Versace)
Naomi Campbell marcou presença na primeira edição do baile sob comando de Anna Wintour com um vestido brilhante assinado pelo amigo, Gianni Versace. Mais que um look, a supermodelo imprimiu um momento histórico com moda, amizade e legado entrelaçados.
Tyla (2024, Balmain)
Uma estreia que já nasceu icônica. Moldado como areia sobre o corpo, o vestido da Balmain de Tyla parecia uma ampulheta viva. Tão justo que ela precisou ser carregada escada acima, como uma escultura, mas totalmente na moda.
Kendall Jenner (2019, Versace)
Plumas, laranja vibrante e atitude de showgirl. Kendall Jenner saiu do seu território minimalista e entregou espetáculo. O look Versace virou fantasia — literalmente — meses depois.
Sarah Jessica Parker (2006, Alexander McQueen)
Antes mesmo do Met Gala se tornar o espetáculo hipermidiático de hoje, Sarah Jessica Parker já entendia o jogo. Em 2006, vestiu um tartan dramático de Alexander McQueen que misturava teatralidade britânica e romantismo sombrio. Era volumoso, ousado e cheio de narrativa — exatamente como Carrie Bradshaw faria.



