Marcelo Portuga deixa funk e investe no gospel após conversão religiosa
Marcelo Portuga abandona funk e migra para música gospel

O mercado musical brasileiro testemunha uma mudança de rota significativa de um de seus nomes mais influentes. Marcelo Portuga, reconhecido por sua atuação decisiva na profissionalização da música urbana no país, anunciou sua transição do funk para o segmento gospel.

Uma trajetória construída no ritmo do funk

A carreira de Marcelo Portuga está intrinsecamente ligada ao funk paulista e ao seu crescimento nacional. Em 2013, ele fundou a Portugal Records, uma gravadora que se tornou um celeiro de talentos. Seu olhar apurado descobriu e impulsionou artistas que se transformaram em fenômenos, como Kevinho, Kekel, Jottapê, MC MM, Dani Russo e MC Hollywood.

Sua estratégia de negócios e visão de mercado foram cruciais para o sucesso estrondoso de clipes no YouTube. Portuga esteve por trás de hits que ultrapassaram a marca de 1 bilhão de visualizações, casos de "Olha a Explosão", de Kevinho, e o monumental "Bum Bum Tam Tam", de MC Fioti, que acumula cerca de 1,7 bilhão de views.

A consolidação de seu império no gênero veio em 2017, com uma parceria estratégica. Ele se associou a Konrad Dantas, fundador da Kondzilla, unindo forças para expandir o casting e criar uma das maiores gravadoras de funk do mundo, impulsionada pelo gigantesco canal Kondzilla no YouTube.

A virada: uma revelação pessoal que mudou tudo

O ponto de inflexão na vida e na carreira de Marcelo Portuga não veio de uma estratégia de mercado, mas de uma experiência pessoal profunda. Após a perda do pai, o empresário relata ter vivido uma "revelação" que o levou a uma conversão ao evangelismo.

Esse momento desencadeou uma reavaliação completa de seu papel no meio musical. O processo culminou em 2024, quando ele tomou duas decisões radicais: vendeu a sua gravadora e deixou oficialmente o universo do funk para se dedicar integralmente à música cristã e ao evangelho.

Um novo capítulo na música gospel

Agora, Marcelo Portuga inicia oficialmente esta nova fase como um dos sócios da AHSA Music, uma gravadora focada no segmento gospel. A movimentação chamou a atenção dos bastidores da indústria fonográfica. A sociedade reúne, além de Portuga, os empresários Alex Passos e Marcony Cruz.

Desde que deixou o funk, Portuga já vinha atuando discretamente em projetos voltados para o gospel. Sua entrada como sócio da AHSA Music marca a consolidação pública dessa transição e sugere que ele pretende aplicar sua vasta experiência em descobrir talentos e em estratégias de mercado para impulsionar a música cristã contemporânea.

A história de Marcelo Portuga ilustra uma jornada de transformação que vai além dos negócios, tocando em questões de fé e propósito. Sua saída de um gênero que ajudou a popularizar e sua entrada em outro com força crescente no Brasil promete reconfigurar parte do cenário musical gospel nacional.