
E o Brasil ficou mais silencioso, mais sem graça. A notícia chegou como um soco no estômago para quem cresceu lendo suas crônicas, rindo de seus personagens e se identificando com seu humor ácido e, ao mesmo tempo, profundamente humano. Luis Fernando Verissimo se foi.
Numa reação quase instantânea — e sinceramente comovente —, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva soltou uma nota que mais parecia um desabafo de fã. Ele não usou a linguagem protocolar típica de um Planalto. Escreveu com a voz de quem realmente perdeu um ídolo.
"Luis Fernando Verissimo era um dos maiores nomes da nossa literatura", disparou Lula, sem meias palavras. E arrematou, com a clareza de quem sabe do que está falando: "Seu talento e humor singular marcaram gerações." Não há exagero aí. Quem nunca deu uma risada de identificação ao ler uma das tiradas do Verissimo?
Mais do que um humorista, um cronista da alma brasileira
Reduzir Verissimo a um "cara engraçado" seria um crime. Ele era um observador meticuloso dos nossos costumes, um tradutor das nossas manias e um contador de histórias que falava direto ao coração do brasileiro médio. Das páginas dos jornais aos livros que encalheram em milhares de cabeceiras, seu trabalho era uma mistura rara de inteligência afiada e uma simpatia contagiante.
Lula, na sua mensagem, foi certeiro ao capturar essa essência. Ele destacou como o escritor "conseguiu, como poucos, retratar o Brasil com humor e profundidade". E é isso. Verissimo não apenas fazia rir; ele fazia pensar. Ele cutucava a ferida, mas com um sorriso no rosto — uma arte que poucos dominam.
O presidente ainda estendeu suas condolências à família, aos amigos e a todos os fãs do autor. Porque, no fundo, a perda não é só de um homem, mas de uma voz. Daquela voz que a gente sempre esperava encontrar no jornal de domingo para começar a semana com um pouco mais de leveza.
O silêncio que fala
Num país tão barulhento e dividido, a morte de uma figura tão consensual quanto Verissimo provoca um raro momento de união. Nas redes sociais, é uma enxurrada de memórias. Pessoas compartilhando suas crônicas favoritas, trechos de livros, memórias de como ele fazia parte da família.
É o luto coletivo por quem nos fez companhia por tanto tempo. E a homenagem de Lula, francamente, ecoa esse sentimento de milhões. Não é um comunicado de governo. É a voz de um leitor agradecido.
O Brasil perdeu um de seus gigantes. Mas o que ele construiu — esse legado de riso, inteligência e um olhar cheio de amor pelo país — isso ninguém tira.