
Não foi só mais um discurso. Longe disso. Quando Isabelle Nogueira subiu ao palco do GLOCAL 2025, em Manaus, a atmosfera mudou. A senadora pelo Amazonas, conhecida por sua veia artística tanto quanto pela atuação política, soltou a voz para defender o que muitos ainda tratam como exotismo: a imensa riqueza cultural da Amazônia.
— A gente precisa parar de ver nossa cultura como algo regional. Ela é global, potente, necessária — disparou, com aquela convicção que só quem conhece profundamente o assunto consegue ter. E ela conhece.
Do outro lado, Adanilo Areias, ator com uma carreira sólida que vai do teatro amazonense às produções nacionais, complementou com um ponto crucial: a cultura como coluna vertebral da identidade. "Sem saber de onde a gente vem, fica impossível saber para onde a gente vai", refletiu, trazendo para o debate uma camada filosófica inesperada.
Mais que uma floresta: um caldeirão cultural
O que emerge do debate é uma visão cristalina: a Amazônia não é apenas aquele lugar de paisagens deslumbrantes e biodiversidade incomparável. É, acima de tudo, um território de gente. De narrativas. De saberes ancestrais que dialogam, constantemente, com a contemporaneidade.
E como fazer esse diálogo ecoar além das fronteiras do Norte? Aí entra o pulo do gato. Para Nogueira, a resposta está na política — mas não aquela de gabinete. Uma política ativa, de fomento, de valorização real dos artistas locais e de criação de pontes sólidas com o mundo.
- Investimento em editais específicos para projetos culturais amazônicos;
- Internacionalização da arte produzida na região;
- E, talvez o mais importante, educação que ensine os próprios amazonenses a valorizar sua herança.
Areias foi direto: "Muitas vezes, a gente mesmo não conhece a força do que temos aqui. É preciso se ver para ser visto". Uma frase que, convenhamos, dá o que pensar.
O evento que tenta virar a chave
O GLOCAL 2025, realizado no Centro de Convenções de Manaus, não é um festival qualquer. A proposta do evento é justamente essa: criar um espaço onde o local e o global não se anulam, mas se fertilizam. Onde um mestre de maracá pode inspirar um produtor musical europeu. Onde os grafismos indígenas encontram a moda internacional.
E a dupla de peso no debate mostrou que a conversa está avançada. Eles não estão apenas apontando problemas; estão propondo caminhos. Caminhos esses que passam, inevitavelmente, pelo reconhecimento de que a cultura é um dos pilares econômicos mais promissores — e subaproveitados — da região.
O recado que fica? A Amazônia cultural chegou para ficar. E não vai pedir licença.