Wagner Moura revela seu diferencial em Hollywood: autenticidade brasileira
Wagner Moura fala sobre seu diferencial em Hollywood

O ator brasileiro Wagner Moura participou de um dos eventos mais tradicionais da indústria cinematográfica americana e usou a oportunidade para destacar o que considera sua maior força em Hollywood. Convidado para a mesa-redonda anual de atores do The Hollywood Reporter, realizada em 2 de janeiro de 2026, Moura dividiu o espaço com grandes nomes como Mark Hamill, Dwayne Johnson, Adam Sandler, Michael B. Jordan, Jacob Elordi e Jeremy Allen White.

O sucesso internacional e a barreira das legendas

Durante a conversa mediada pelo editor-executivo Scott Feinberg, o trabalho de Moura em Narcos, série da Netflix exibida entre 2015 e 2017, foi um dos temas. Feinberg questionou se o sucesso global da produção, na qual o brasileiro interpretou Pablo Escobar, dependeu de o público americano finalmente estar pronto para consumir conteúdo legendado.

Moura reconheceu que essa foi uma grande discussão na época. “Isso foi uma grande discussão naquela época, do tipo: ‘Isso talvez faça sucesso em algum lugar, mas não nos Estados Unidos, porque eles vão precisar de legendas’”, relembrou o ator. Ele confirmou que Narcos de fato se tornou um fenômeno mundial, um marco que fez com que as pessoas ao redor do globo o reconhecessem. “Em qualquer lugar do mundo que eu fosse, as pessoas diziam: ‘Pablo Escobar!’. Acho que foi algo que fez as pessoas me notarem”, afirmou.

A autenticidade como estratégia e identidade

O debate tomou um rumo mais profundo quando Feinberg comentou sobre a decisão de Moura de alternar entre projetos internacionais, como Guerra Civil (2024), e produções nacionais, como o recente O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho. Foi então que o ator expôs sua filosofia de carreira.

“Eu nunca quis vir para cá e ‘tentar a sorte em Hollywood’. Eu sempre me senti muito brasileiro”, declarou Moura com convicção. Ele foi enfático ao apontar que seu diferencial – e talvez o que o torna especial para o cinema – é exatamente o fato de não ser americano. “O que me diferencia e talvez me torna especial para o cinema é o fato de eu não ser daqui. Eu trago a minha cultura junto”.

O ator criticou a pressão comum sobre artistas estrangeiros para que se adaptem completamente. “Nunca entendi atores que tentavam perder o sotaque. Eu nunca serei como, digamos, o Jeremy [Allen White] — sou um ator brasileiro e represento um monte de gente que vive aqui neste país e fala com sotaque”, explicou.

Uma postura que desafia convenções

Wagner Moura revelou que, ao começar a trabalhar nos Estados Unidos, enfrentou questionamentos diretos sobre sua capacidade de interpretar personagens com um “sotaque americano padrão”. Sua resposta foi sempre a mesma: “Não”.

Ele justificou a negativa com dois argumentos poderosos. “Primeiro porque não consigo, mas segundo porque achava isso meio errado”, concluiu o ator, encerrando o raciocínio com uma defesa clara de sua identidade cultural como ferramenta artística e não como um obstáculo a ser superado.

A participação de Moura na prestigiada mesa-redonda do The Hollywood Reporter, geralmente reservada a astros em evidência na temporada de premiações, reforça sua posição consolidada no mercado internacional. Sua indicação ao Globo de Ouro por O Agente Secreto é um testemunho disso. No entanto, sua mensagem central foi de que esse sucesso não veio da assimilação, mas da celebração e da exportação consciente de sua brasilidade para as telas do mundo.