Wagner Moura critica Trump e compara com Bolsonaro em entrevista exclusiva à revista Variety
O ator brasileiro Wagner Moura foi destaque na capa da prestigiada revista Variety, onde abordou temas políticos sensíveis e fez duras críticas ao ex-presidente americano Donald Trump, comparando-o com o também ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, atualmente preso por tentativa de golpe de Estado.
Ditadura militar e autoritarismo em pauta
Na entrevista, Moura destacou as diferenças entre as reações do Brasil e dos Estados Unidos frente a movimentos autoritários. Ele afirmou que, enquanto o Brasil agiu rapidamente para defender a democracia, prendendo os envolvidos em tentativas de insurreição, os EUA parecem estar testando os limites sem responsabilizar adequadamente os culpados.
Quando eu estava fazendo Guerra Civil, pensava constantemente em como o Brasil reagiu de forma diferente à nossa insurreição — de uma forma melhor do que vocês, porque o Brasil foi rápido em fazer a coisa certa e mandar a mensagem de que não se mexe com a democracia. Nós prendemos pessoas. Bolsonaro está preso, declarou o ator.
Críticas à violência e desigualdade social
Wagner Moura também comentou sobre o caso da morte de Renee Good por agentes de imigração do ICE em Minneapolis, classificando-o como um momento que deveria despertar a sociedade. Ele expressou preocupação com a seletividade nas reações públicas, observando que a comoção parece maior quando a vítima é uma pessoa branca, enquanto mortes de imigrantes muitas vezes passam despercebidas.
Além disso, o ator aproveitou para desmistificar a imagem simplista do Brasil no exterior. Ele reconheceu os aspectos positivos, como o calor humano, a cultura vibrante, a música e a culinária, mas ressaltou que o país carrega uma história complexa marcada pela escravidão tardia, enorme desigualdade social e concentração de poder.
Reflexão sobre a política atual
Para Moura, figuras como Bolsonaro e Trump não surgiram do nada, mas são reflexos das sociedades que representam. O Brasil não é para iniciantes. Bolsonaro não surgiu do nada — ele reflete o país, assim como Trump reflete os Estados Unidos, completou o ator, indicado ao prêmio de Melhor Ator por O Agente Secreto.
Essa entrevista reforça o posicionamento político de Wagner Moura, que tem se mostrado um voz ativa em debates sobre democracia, direitos humanos e justiça social, tanto no Brasil quanto internacionalmente.