Tio de Wagner Moura celebra torcida familiar pelo ator na histórica indicação ao Oscar
Além do carinho que recebe dos fãs desde que alcançou a fama, Wagner Moura também encontra profunda admiração naqueles que acompanharam sua trajetória desde os tempos de anonimato. Entre esses admiradores, sua família se destaca — pessoas que testemunharam cada passo do artista até a indicação histórica ao Oscar deste ano. Natural de Salvador, Wagner se tornou o primeiro brasileiro a concorrer na categoria Melhor Ator em 97 anos de premiação. A cerimônia ocorrerá na noite deste domingo (15), em Los Angeles, nos Estados Unidos.
Torcida ganha força em Rodelas, cidade da infância do ator
Ao lado do amigo e também ator Lázaro Ramos, o baiano terá o apoio de uma torcida especial vinda de Rodelas, município no norte da Bahia onde morou na infância e deu os primeiros passos na atuação. Além dos ex-vizinhos, ele contará com o incentivo do tio, Everaldo Maniçoba, que ainda reside na localidade. O caminhoneiro aposentado estará entre o público de um evento organizado para transmitir a premiação gratuitamente em Rodelas, com um telão montado em um centro esportivo municipal.
Em entrevista, Everaldo exaltou o sobrinho com emoção: "Isso é muito bom, muito gratificante, para ele e para nós da família. Não é só porque ele está conquistando isso. É que ele é um cara pé no chão, humilde. É mais que justo", destacou. Em uma reportagem do programa Bom Dia Sábado, da TV Bahia, o tio relembrou um momento inusitado com Wagner, quando o ator interpretou Pedrinho na série "Carga Pesada" (2003-2007). "Ele já estava interpretando e o que ele queria era vivenciar para interpretar melhor. Falou que queria vivenciar mesmo como é a realidade do caminhoneiro para fazer o papel", contou.
Trajetória de pioneirismo e inspiração familiar
Os familiares de Wagner Moura ressaltaram que o artista não foi pioneiro somente no Oscar. Ele foi o primeiro neto, o primeiro sobrinho e o primeiro da família a ingressar no ensino superior. Além de ator, Wagner é formado em Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (Ufba). "Foi importante para a gente. Abriu portas para que a gente pudesse sonhar. Inclusive, quando Wagner entrou para o teatro, alguns primos meus depois começaram a fazer curso de teatro. Na época, Wagner não era famoso", relatou a prima do artista, Lorena Maniçoba.
Carreira sólida e reconhecimento internacional
Wagner Moura vive um dos momentos mais emblemáticos da carreira após ser indicado ao Oscar com o filme "O Agente Secreto". Ele concorre contra Ethan Hawke (Blue Moon), Leonardo DiCaprio (Uma batalha após a outra), Michael B. Jordan (Pecadores) e Timothée Chalamet (Marty Supreme). Além da indicação de atuação, o longa nacional recebeu mais três nomeações, empatando com o recorde histórico de "Cidade de Deus", que em 2004 também disputou quatro categorias.
Com uma trajetória iniciada no projeto "Guther Chaplin", em Rodelas, Wagner construiu ao longo das últimas décadas uma carreira sólida e diversa, transitando entre o teatro, a televisão, o cinema nacional e produções internacionais. Apesar do começo no interior, foi na capital que o estrelato começou. Aos 16 anos, ele já atuava nos palcos de Salvador e participou de peças como "Cuida Bem de Mim" e "A Casa de Eros". Em 1997, sua performance em "Abismo de Rosas", dirigida por Fernando Guerreiro, rendeu o troféu de Revelação no Prêmio Braskem de Teatro.
O reconhecimento nacional veio com a peça "A Máquina", de João Falcão, em 2000, quando atuou ao lado de Lázaro Ramos e Vladimir Brichta. O espetáculo abriu portas para Wagner no cinema e na televisão. Em 2007, ele interpretou o personagem "Boca" no filme "Ó Paí, Ó", gravado no Pelourinho, em Salvador, e protagonizado por Lázaro Ramos. Os artistas possuem uma forte ligação e são amigos de longa data, tendo gravado juntos o programa "Sexo Frágil", na TV Globo, em 2003.
Em 2021, Wagner Moura dirigiu, roteirizou e produziu o filme "Marighella", que conta a história do baiano Carlos Marighella. No ano passado, o baiano começou a ganhar prêmios e destaque com o sucesso de "O Agente Secreto", sendo escolhido o melhor ator no Festival de Cannes e vencendo o prêmio de melhor ator em filme de drama no Globo de Ouro 2026 — a primeira vez que um ator brasileiro venceu na categoria. O longa, ambientado durante a ditadura militar brasileira, destaca-se por sua abordagem estilizada e crítica à repressão política da época.
