Ronaldinho Gaúcho: a surpreendente carreira musical do ídolo do futebol
Enquanto o documentário "Ronaldinho Gaúcho" estreia nesta quinta-feira (16) na Netflix, focando sua trajetória nos gramados, uma faceta menos conhecida do ex-jogador merece destaque especial: sua sólida e bem-sucedida carreira na música. Longe de ser um hobby passageiro, a relação de Ronaldo de Assis Moreira com a arte musical é profunda, técnica e comercialmente relevante.
Compositor e intérprete com números impressionantes
Consultas ao Ecad revelam que Ronaldinho aparece como compositor ou autor em 91 obras registradas e como intérprete em outras 32. Entre seus maiores sucessos como compositor está "Agora Perdeu", um dos hits do grupo Bom Gosto que acumula impressionantes 46 milhões de reproduções no Spotify. Outra composição de destaque é "Favela", interpretada pelo rapper Delacruz, com três milhões de plays na plataforma.
Como cantor, Ronaldinho emplacou verdadeiros fenômenos: "Professor da Malandragem" (com Dennis e Wesley Safadão), "Vamos Beber" (com Dennis e a dupla João Lucas & Marcelo) e "Solteiro de Novo" (também com Safadão). Esta última alcançou a marca extraordinária de quase 200 milhões de visualizações no YouTube.
Empresário musical com visão internacional
Em março, o ex-craque anunciou um novo empreendimento: a gravadora "Tu Música", sediada em Miami, com foco nos talentos musicais da América Latina. O trabalho de estreia será um álbum em homenagem à Copa do Mundo, com um evento de lançamento marcado para 6 de abril que reunirá compositores e produtores de todo o mundo.
Raízes no samba e pagode
A conexão de Ronaldinho com a música vem da infância, ouvindo Fundo de Quintal (seu grupo favorito) ao lado do irmão Assis. Como percussionista, domina instrumentos como rebolo e tantan com habilidade reconhecida por profissionais do meio.
Mug Aragão, cavaquinista do Bom Gosto, revela: "Se ele fosse de qualquer banda, ele seria um percussionista dos bons. Ele respeita o tempo do outro, agrega com palavras, frases, assuntos muito interessantes. Ele entendeu que a composição é mais transpiração do que inspiração e quer compor todo dia."
O ex-jogador não apenas participa de rodas de samba, mas também apoia novos talentos. Ferrugem, por exemplo, teve sua primeira produção profissional paga por Ronaldinho, que também fez um solo de surdo no DVD do grupo mineiro Akatu.
A evolução para rap, funk e trap
Durante sua passagem pelo Barcelona, Ronaldinho descobriu o rap norte-americano, tornando-se fã de 50 Cent e adotando o estilo visual do gênero. Após a aposentadoria, aproximou-se do trap e do funk, especialmente das produções de Belo Horizonte, cidade onde defendeu o Atlético Mineiro.
Dessa aproximação nasceu a "Tropa do Bruxo", uma produtora voltada para funk e trap que funciona como um laboratório criativo. Gabriel Vieira Paula, o SMU, produtor dos principais sucessos do coletivo, explica: "A tropa é um estado de espírito. É um movimento que junta talento e criatividade. O Ronaldo agrega muito e não só com o nome, porque ele entende muito de produção, de novas sonoridades."
O maior sucesso da Tropa do Bruxo é "Baile do Bruxo", interpretada por Triz e MC Menor Thalis, que chegou a liderar os charts brasileiros e acumula quase 200 milhões de reproduções no Spotify. O coletivo já reuniu nomes como Djonga, MC Hariel, MC Nahara, Recayd Mob e MC Dricka.
O sonho de uma parceria histórica
SMU revela o grande objetivo musical de Ronaldinho: "Ele disse que o sonho dele é fazer um som com o Mano Brown. Eu acho que nem é tão sonho assim." A afirmação reforça a seriedade com que o ex-jogador encara sua segunda carreira.
Profissionais que trabalharam com Ronaldinho admitem que a admiração por suas conquistas no futebol pode influenciar julgamentos, mas são unânimes em reconhecer seu talento e comprometimento musical. Como resume Mug Aragão: "Ele não fala vamos compor, ele fala vamos trabalhar. Esse é o nível de comprometimento dele."



