Mãe de Vanessa, vítima de feminicídio, fala pela primeira vez: 'Queria tanto ela comigo'
Mãe de vítima de feminicídio fala pela primeira vez sobre dor

Mãe de Vanessa, vítima de feminicídio, fala pela primeira vez: 'Queria tanto ela comigo'

A frase que resume a dor de uma mãe ecoa em Pará de Minas, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Iraci Castro Aparecida de Oliveira, mãe de Vanessa Lara de Oliveira, falou pela primeira vez ao g1 sobre a morte brutal da filha, ocorrida em fevereiro deste ano. O desabafo veio após o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciar, na segunda-feira (13), Ítalo Jefersson da Silva, de 43 anos, pelos crimes de feminicídio e ocultação de cadáver.

O crime que chocou a região

O caso aconteceu no dia 9 de fevereiro, quando Vanessa, de 23 anos, desapareceu após sair do trabalho em Juatuba, na Grande Belo Horizonte. No dia seguinte, seu corpo foi encontrado em um terreno, sem roupas e com evidentes sinais de violência. Segundo as investigações e a denúncia do MPMG, a jovem foi abordada após deixar o serviço, levada pelo suspeito, estuprada e, em seguida, assassinada.

O suspeito, Ítalo Jefersson da Silva, foi preso em 12 de fevereiro em Carmo do Cajuru, enquanto tentava fugir. Conforme a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), ele possui passagens pelo sistema prisional desde 2003 e, em dezembro do ano passado, havia conseguido a progressão do regime fechado para o semiaberto domiciliar.

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A dor que permanece e a busca por justiça

Mesmo com o andamento do caso na Justiça, a dor da família segue intensa e avassaladora. A mãe de Vanessa descreveu o sofrimento que revive a cada nova informação sobre o crime. "Eu não quero que nenhuma mãe passe o que eu estou passando, que nenhuma mulher passe o que a Vanessa passou. Eu queria tanto ela comigo", disse Iraci, com a voz embargada pela emoção.

Em outro momento, ela destacou a esperança por justiça, apesar da dor constante que a acompanha. "Essas notícias sempre fazem a gente reviver tudo que aconteceu, mas acreditamos que haverá justiça. Estamos confiantes de que, além da justiça divina, a do homem também será feita", afirmou, demonstrando uma resiliência comovente diante da tragédia.

Para a família, a denúncia formalizada pelo Ministério Público representa um avanço significativo no caso e reforça a expectativa por um desfecho justo. Com a denúncia, o processo segue agora para análise da Justiça, que deve decidir se aceita a acusação. Caso isso ocorra, o suspeito se tornará réu e responderá pelos crimes apontados pelo MPMG.

Quem era Vanessa Lara de Oliveira

Vanessa Lara de Oliveira Silva era uma jovem de 23 anos, moradora de Pará de Minas, que cursava o sétimo período da faculdade de psicologia e sonhava em atuar na área de recursos humanos. De acordo com amigos, professores e o coordenador do curso, Éser Pacheco, ela era uma estudante tranquila, responsável, comprometida e extremamente dedicada aos estudos.

A jovem mantinha uma rotina focada na formação acadêmica e fazia o trajeto entre Pará de Minas e Juatuba de ônibus todos os dias para trabalhar. Sua morte causou comoção e levou a manifestações na cidade, onde a comunidade se uniu em apoio à família e em protesto contra a violência.

Os detalhes da investigação

Conforme o registro da Polícia Militar, parentes do suspeito relataram que ele chegou em casa no dia do crime sujo de barro, com lesões e arranhões no corpo e marcas de sangue nas roupas. Esses indícios foram cruciais para as investigações, que rapidamente levaram à sua identificação e prisão.

A família acompanha cada etapa do caso com uma mistura de expectativa e dor profunda, à espera de uma resposta definitiva do sistema de Justiça. A morte de Vanessa não só tirou uma vida promissora, mas também deixou uma ferida aberta na comunidade, que clama por medidas eficazes contra a violência de gênero.

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