O mundo da moda perdeu um de seus maiores ícones nesta segunda-feira (19). Valentino Garavani, o estilista italiano que revolucionou a alta costura com seu tom de vermelho vibrante, faleceu aos 93 anos em sua casa, em Roma. A notícia foi confirmada e chocou admiradores e a indústria fashion global.
O Legado do "Vermelho Valentino"
Mais do que um simples designer, Valentino era um artista que acreditava no poder da cor. Seu "vermelho Valentino" se tornou uma assinatura, um amuleto da sorte presente em pelo menos uma peça de cada coleção. "Depois do preto e do branco, não há cor mais bela", costumava dizer o mestre. Essa tonalidade vibrante e sensual, aplicada em vestidos de corte impecável e repletos de detalhes, vestiu algumas das mulheres mais elegantes do planeta.
Suas criações, que podiam parecer simples à primeira vista, escondiam um trabalho artesanal meticuloso. Jaqueline Kennedy Onassis e Elizabeth Taylor escolheram Valentino para criar seus vestidos de noiva. Inúmeras atrizes premiadas com o Oscar subiram ao palco para receber a cobiçada estatueta usando suas criações, consolidando-o como um favorito do cinema e da alta sociedade.
O Último Imperador da Alta Costura
Valentino permaneceu no topo absoluto da moda por mais de 45 anos, sendo considerado o último dos grandes imperadores da alta costura. Ele formava, ao lado de Giorgio Armani, falecido em setembro de 2025, e Karl Lagerfeld, que partiu em 2019, um trio de lendas que viveu em uma busca incessante pela beleza e perfeição.
Sua imagem pessoal era tão impecável quanto suas roupas: sempre visto com ternos elegantes e um bronzeado característico. A modelo e musa Claudia Schiffer resumiu sua filosofia: "Ele adora mulheres. Adora vesti-las, adora vê-las bonitas e glamorosas". No entanto, algumas de suas declarações sobre a beleza feminina, como a comparação da mulher a um "lindo buquê de flores" e suas críticas à inclusão de modelos de diferentes tamanhos nas passarelas, geraram controvérsias ao longo dos anos.
Despedida e Homenagens
O estilista havia se aposentado em 2008, uma década depois de vender a marca que fundou em 1959 por US$ 300 milhões. Seu último desfile em Paris foi um tributo emocionante à sua cor símbolo: todas as modelos desfilaram com vestidos vermelhos.
O velório será realizado na sede de sua fundação, em Roma, na quarta e quinta-feira. O funeral está previsto para a manhã de sexta-feira. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, já se pronunciou, chamando Valentino de "mestre indiscutível do estilo e da elegância" e um "símbolo eterno da alta costura italiana".
A partida de Valentino marca o fim de uma era. Seu legado, no entanto, especialmente aquele vermelho inconfundível, continuará a brilhar e inspirar gerações, eternizando-o como um verdadeiro titã da criação e do luxo.