Manoel Carlos, criador das Helenas, morre aos 92 anos no Rio
Morre Manoel Carlos, dramaturgo das Helenas, aos 92 anos

O Brasil perdeu um de seus maiores dramaturgos. Manoel Carlos, conhecido como Maneco, morreu no sábado (10), aos 92 anos, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela família. Ele estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, tratando a Doença de Parkinson, mas a causa específica do óbito não foi divulgada.

O Legado das Helenas e o Luto das Atrizes

A notícia da morte do autor foi recebida com profunda tristeza por suas musas, as atrizes que interpretaram as famosas Helenas, personagens marcantes de suas tramas. Regina Duarte, que viveu a Helena em três oportunidades, lamentou a perda em uma emocionante nota. "Maneco foi o pai das Helenas, das antagonistas perfeitas e filhas marcantes", escreveu a atriz, lembrando da genialidade do autor.

Outras intérpretes das Helenas também se manifestaram. Taís Araújo, estrela de "Viver a Vida" (2009), agradeceu por Manoel Carlos ter acreditado nela. Maitê Proença, Helena de "Felicidade" (1991), falou em "tristeza imensa". O autor criou um arquétipo forte de mãe, inspirado na mitologia grega, que se tornou sua assinatura.

Uma Carreira que Marcou Época na Televisão

Manoel Carlos começou sua carreira artística nos palcos, aos 17 anos. Na TV Globo, estreou em 1972 como diretor-geral do "Fantástico". Sua primeira novela na emissora foi "Maria, Maria", em 1978. No entanto, foi a partir de "Baila Comigo" (1981) que ele apresentou ao público a primeira de muitas Helenas, vivida por Lílian Lemmertz.

Seu estilo único era caracterizado por algumas marcas registradas:

  • As Helenas: Mães fortes, abnegadas e complexas, cujo amor filial era o motor da trama.
  • O Rio de Janeiro: Especialmente o bairro do Leblon, que se tornou um cenário quase mítico em suas histórias.
  • Conflitos Familiares: O autor mergulhava nas relações familiares, explorando sentimentos universais como amor, ciúme e inveja.

Entre seus maiores sucessos, estão novelas que entraram para a história, como "Por Amor" (1997), com a icônica cena da troca de bebês, "Laços de Família" (2000), "Mulheres Apaixonadas" (2003) e "Páginas da Vida" (2006).

As Múltiplas Faces de uma Musa

Regina Duarte foi a atriz que mais vezes incorporou uma Helena, em "História de Amor" (1995), "Por Amor" (1997) e "Páginas da Vida" (2006). Outras grandes atrizes também deram vida ao arquétipo, como Christiane Torloni em "Mulheres Apaixonadas" e Vera Fischer em "Laços de Família". Em 2009, Taís Araújo se tornou a primeira Helena negra do autor, em "Viver a Vida". Sua última Helena foi Júlia Lemmertz, filha de sua primeira intérprete, em "Em Família" (2014), sua derradeira novela antes de se aposentar.

Vida Pessoal e Despedida

Manoel Carlos vivia recluso com a família desde 2014. Ele deixa duas filhas: a atriz Júlia Almeida e a roteirista Maria Carolina, que colaborou com ele em várias obras. O autor também teve outros três filhos, todos falecidos: Ricardo de Almeida (1988), Manoel Carlos Júnior (2012) e Pedro Almeida (2014).

O velório será restrito à família e amigos íntimos. "A família agradece as manifestações de carinho e solicita respeito e privacidade neste momento delicado", informou a nota da família. A partida de Maneco deixa um vazio na cultura brasileira, mas seu legado, através das histórias e personagens inesquecíveis que criou, permanecerá vivo para sempre.