Manoel Carlos, o 'Maneco', morre aos 92 anos e deixa legado de novelas e Helenas
Morre Manoel Carlos, autor de novelas da Globo, aos 92 anos

O mundo da dramaturgia brasileira está de luto com a morte do renomado autor Manoel Carlos, conhecido carinhosamente como Maneco. Ele faleceu no sábado, 10 de fevereiro, aos 92 anos, no Hospital Copa Star, em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro, onde tratava a Doença de Parkinson.

Uma vida dedicada às artes e à televisão

O corpo do autor foi velado na tarde deste domingo (11) em cerimônia fechada, restrita apenas a familiares e amigos próximos. Em nota, a família agradeceu as manifestações de carinho e pediu respeito e privacidade neste momento delicado.

Manoel Carlos deixa duas filhas: a atriz Júlia Almeida e a roteirista Maria Carolina, que colaborou com o pai em várias de suas obras. Sua história, no entanto, é marcada também por tragédias pessoais, com a perda de outros três filhos: o dramaturgo e ator Ricardo de Almeida (1988), o diretor Manoel Carlos Júnior (2012) e o estudante de teatro Pedro Almeida (2014).

Sua carreira na TV Globo começou em 1972, como diretor-geral do programa "Fantástico". Antes disso, já havia passado por diversas emissoras, atuando como autor, produtor e até mesmo como ator. Sua paixão pelas artes, porém, nasceu muito antes, aos 17 anos, nos palcos de teatro.

O legado do autor: o Rio e as Helenas

A marca registrada de Manoel Carlos em suas novelas era a profunda conexão com a cidade do Rio de Janeiro, que ele transformava não apenas em cenário, mas em um personagem vivo de suas histórias. Nascido em São Paulo, em 1933, ele sempre se considerou um carioca de coração.

Outro traço inconfundível de sua obra foram as personagens batizadas de "Helenas". De "Baila Comigo" (1981) a "Em Família" (2014), essas mães fortes, cujo amor incondicional pelos filhos superava qualquer obstáculo, cativaram gerações de brasileiros. Suas tramas eram conhecidas por explorar com sensibilidade os conflitos familiares e as emoções humanas.

Entre seus maiores sucessos estão novelas que marcaram época, como "Por Amor", "Laços de Família", "Mulheres Apaixonadas" e "Viver a Vida". Ele se aposentou em 2014 e vivia de forma reclusa com a família.

Das bibliotecas aos grandes sucessos

A trajetória de Maneco começou longe dos holofotes. Filho de um comerciante e uma professora, começou a trabalhar aos 14 anos como auxiliar de escritório. Paralelamente, alimentava sua paixão artística.

Ele se reunia diariamente com um grupo de jovens na Biblioteca Municipal de São Paulo para ler e debater literatura e teatro. Esse grupo, chamado de "Adoradores de Minerva", contava com nomes que se tornariam gigantes da cultura nacional, como Fernanda Montenegro, Fernando Torres, Fábio Sabag, Flávio Rangel e Antunes Filho.

A doença de Parkinson, que o acompanhava nos últimos anos, afetou progressivamente suas funções motoras e cognitivas. Mesmo afastado da vida pública, seu legado permanece vivo através de suas histórias, que continuam a emocionar e a definir um padrão de qualidade na teledramaturgia brasileira.