O mundo da televisão brasileira está de luto. Morreu neste sábado, 10 de janeiro de 2026, o renomado autor Manoel Carlos, aos 92 anos. A informação foi confirmada através de um comunicado oficial da produtora Boa Palavra, detentora dos direitos autorais de suas obras.
Uma vida dedicada às histórias
Manoel Carlos Gonçalves de Almeida, carinhosamente chamado de Maneco, nasceu em São Paulo no dia 14 de março de 1933. Sua jornada artística começou no teatro, ainda em 1950, onde atuou como ator. No entanto, foi na telinha que ele encontrou sua verdadeira vocação.
Já em 1952, ele lançou sua primeira novela, intitulada Helena, pela TV Paulista – emissora que posteriormente se tornaria a TV Globo. Essa estreia foi um prenúncio do que viria: protagonistas chamadas Helena se tornariam uma de suas marcas registradas.
A consagração na TV Globo
Embora tenha trabalhado em várias emissoras, como Tupi, Record, Manchete e Band, foi na Globo que Manoel Carlos construiu seu legado mais duradouro. Sua primeira novela no canal foi Maria, Maria, em 1978, no horário das 18h.
A consagração definitiva veio em 1980, quando assumiu o cobiçado horário das 20h como coautor de Água Viva, ao lado de Gilberto Braga. A partir daí, uma sequência de grandes sucessos marcou a televisão brasileira:
- Baila Comigo (1981)
- Sol de Verão (1982)
- Felicidade (1991-1992)
- Por Amor (1997-1998)
- Laços de Família (2000-2001)
- Mulheres Apaixonadas (2003)
- Páginas da Vida (2006-2007)
- Viver a Vida (2009-2010)
Seu último folhetim foi Em Família, exibido em 2014, encerrando uma carreira de décadas dedicadas a contar histórias.
Além das novelas: séries e minisséries
Manoel Carlos também demonstrou seu talento em outros formatos. Criou a aclamada série Malu Mulher, entre 1979 e 1980, um marco na discussão sobre o papel da mulher na sociedade. Escreveu ainda as minisséries Presença de Anita (2001) e Maysa: Quando Fala o Coração (2009).
O legado de Maneco
Manoel Carlos deixa uma marca indelével na cultura brasileira. Paulistano de nascimento, soube como ninguém utilizar o Rio de Janeiro como pano de fundo poético para seus dramas. Suas narrativas, centradas em conflitos familiares e protagonizadas por mulheres fortes e complexas, dialogaram com milhões de brasileiros por gerações.
A notícia de seu falecimento, divulgada pela Agência Brasil, ecoa como a perda de um dos grandes arquitetos da teledramaturgia nacional. Ele não era apenas um autor; era um contador de histórias que definiu uma era da televisão e, com sua partida, deixa órfãs todas as Helenas do mundo.