Matthew McConaughey patenteia voz contra uso indevido de IA
McConaughey patenteia voz para proteger-se de IA

O astro de Hollywood Matthew McConaughey, de 56 anos, tomou uma medida inédita e estratégica para proteger sua identidade na era digital. O ator registrou oficialmente sua voz e sua imagem junto ao Escritório de Marcas e Patentes dos Estados Unidos (USPTO), criando uma barreira legal contra o uso não autorizado por sistemas de inteligência artificial.

Uma barreira legal na era da inteligência artificial

Segundo informações publicadas pelo jornal The Guardian, McConaughey teve oito pedidos de registro distintos aprovados nas últimas semanas. O material submetido inclui não apenas gravações de áudio, mas também vídeos específicos. Entre os registros, estão cenas do ator em pé em uma varanda, sentado em frente a uma árvore e, de forma icônica, um clipe de áudio com a famosa frase “Tudo bem, tudo bem, tudo bem”, seu bordão eternizado no filme Jovens, Loucos e Rebeldes (1993).

Em um comunicado oficial, o ator explicou os motivos por trás da decisão. “Minha equipe e eu queremos ter certeza de que, sempre que minha voz ou imagem forem usadas, seja porque eu aprovei e dei meu consentimento”, afirmou McConaughey. Ele ainda complementou: “Queremos criar um perímetro claro em torno da propriedade intelectual, com consentimento e atribuição como norma em um mundo de IA.”

Proteção preventiva e um precedente jurídico

A ação, embora preventiva, visa estabelecer um precedente sólido. A equipe jurídica do ator destacou que não há uma queixa específica em andamento, mas a iniciativa serve como uma ferramenta poderosa para o futuro. Jonathan Pollack, um dos advogados de McConaughey, foi enfático ao dizer que o registro fornece um instrumento concreto de defesa.

“Em um mundo onde vemos todos se esforçando para descobrir o que fazer em relação ao uso indevido de IA, agora temos uma ferramenta para impedir alguém ou levá-lo a um tribunal federal”, declarou Pollack. A estratégia transforma a voz e a imagem do ator em marcas registradas, ampliando significativamente o leque de possibilidades legais para combater falsificações digitais e deepfakes.

O impacto para celebridades e o futuro dos direitos autorais

A decisão de Matthew McConaughey, anunciada em 16 de janeiro de 2026, acende um debate crucial sobre direitos autorais, identidade e tecnologia. Em um cenário onde ferramentas de IA podem replicar vozes e rostos com precisão assustadora, artistas e personalidades públicas ficam vulneráveis a usos fraudulentos em propagandas, vídeos falsos ou conteúdos gerados sem permissão.

Ao patentear elementos tão pessoais, McConaughey não protege apenas sua carreira, mas também abre um caminho para que outros profissionais do entretenimento sigam o mesmo exemplo. A medida estabelece um novo paradigma na relação entre celebridades, sua imagem pública e as tecnologias emergentes, colocando o consentimento no centro da discussão.

O caso demonstra uma postura proativa diante de um dos maiores desafios éticos e legais da atualidade: a fronteira tênue entre inovação tecnológica e a apropriação indevida da identidade humana. A atitude do astro de Interestelar (2014) pode, portanto, inspirar uma nova onda de proteção legal no mundo artístico e além.