O advogado Matheus Martinez, que representa a vítima de agressão em Praia Grande, no litoral de São Paulo, protocolou um pedido de prisão preventiva contra o ex-companheiro da mulher. O caso ocorreu na última terça-feira (12), quando o homem deu um soco no rosto da ex-namorada em frente ao local de trabalho dela, no bairro Boqueirão.
A mulher, de 29 anos, que preferiu não se identificar, falou pela primeira vez após o ataque. Ela contou que o agressor não aceitava o fim do relacionamento, que terminou em fevereiro, e passou a persegui-la. No dia da agressão, ela havia saído da padaria onde trabalha e estava pegando a bicicleta para ir embora quando foi surpreendida pelo ex. “Ele queria que eu fosse embora com ele, puxando minha bicicleta. E quando eu me dei por conta, ele me deu um soco na boca”, relatou a vítima, que precisou levar três pontos no local.
Histórico de violência
De acordo com o advogado Matheus Martinez, o relacionamento durou apenas dois meses e foi marcado por ciúmes e agressividade. “Ele estava demonstrando ser essa pessoa perseguidora durante o relacionamento. Ela não podia conversar com amiga, não podia adicionar ninguém no Instagram, não podia sair com as amigas que ele já demonstrava destemperamento”, afirmou. O advogado revelou ainda que o suspeito já havia agredido a mulher com um empurrão durante o namoro, mas a agressão não foi denunciada na época.
A vítima também recebeu ameaças de morte via WhatsApp antes do ataque. “O meu maior desejo é que ele seja devidamente punido. Não só ele, como todos os homens que fazem esse tipo de coisa, porque se a gente parar para pensar, eles fazem isso sem medo algum porque sabem que eles vão ser soltos e ninguém faz nada”, desabafou a mulher em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Globo.
Suspeito foi solto
O agressor foi preso em flagrante no dia do crime, mas acabou liberado em audiência de custódia. A defesa da vítima considera a soltura um risco, já que o homem possui antecedentes por violência doméstica, incluindo uma tentativa de homicídio. “Circunstâncias que reforçam a periculosidade concreta do caso e o risco real enfrentado pela vítima”, declarou o escritório Garcia Advogados, que também representa a mulher.
O caso foi registrado como violência doméstica e lesão corporal na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Praia Grande e é investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher. O g1 entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) para obter mais informações sobre as medidas adotadas após a soltura, mas não obteve retorno até o momento.
Defesa pede prisão preventiva
O advogado Matheus Martinez afirmou que reúne elementos para solicitar a prisão preventiva do suspeito. Para a defesa, o caso possui características compatíveis com tentativa de feminicídio, levando em consideração as ameaças, o histórico agressivo e a agressão em via pública. Além disso, os advogados analisam a possibilidade de pedir ação indenizatória por danos morais, emocionais e psicológicos devido à violência e à repercussão pública do episódio.
Um vídeo que circula nas redes sociais mostra guardas civis municipais retirando o suspeito de uma loja, enquanto ele era agredido por pessoas que presenciaram o ocorrido. A vítima, que vive com medo desde as ameaças, espera que a Justiça seja feita.



