A participante da vigésima sexta edição do Big Brother Brasil, Chaiany Andrade, de 25 anos, comoveu o público ao compartilhar uma experiência pessoal profundamente marcante dentro do reality show. Ela relembrou o período em que sua filha, Lara, então recém-nascida, precisou ficar internada no Hospital da Criança de Brasília José Alencar, conhecido pela sigla HCB.
O diagnóstico e a jornada de tratamento
Lara nasceu com uma condição chamada hidronefrose renal, que consiste em uma obstrução do fluxo normal da urina, causando inchaço no rim. A situação exigiu que a bebê passasse por cirurgias ainda nos primeiros meses de vida. Hoje, com dez anos completos, Lara vive bem com apenas um rim funcional e mantém um acompanhamento médico anual no mesmo hospital que a acolheu.
"Aprendi a ser mãe no hospital. Não sabia o que era hidronefrose, não sabia que ela não urinava. Aprendi tudo ali", confessou Chaiany durante sua apresentação inicial para o programa. Em uma conversa posterior com a colega de confinamento Ana Paula Renault, a participante voltou a falar sobre a experiência, destacando a qualidade do atendimento recebido.
Elogios ao serviço público de saúde
"A gente foi encaminhado para um hospital top, entendeu? É do governo, mas é top. É o Hospital da Criança. Nunca vou esquecer, velho. É o trem mais chique, mais top que eu já entrei, assim, de hospital. Tem brinquedoteca, tem homem tocando piano, sabe?", relatou Chaiany, emocionada. Suas palavras chamaram a atenção para a infraestrutura e o ambiente humanizado oferecidos pela unidade.
Durante o diálogo, Chaiany mencionou que o HCB "vive de doações", e Ana Paula sugeriu até mesmo uma campanha de arrecadação financeira para apoiar a instituição. No entanto, é importante esclarecer que o Hospital da Criança de Brasília não é uma organização filantrópica ou sustentada principalmente por doações.
A realidade do financiamento e gestão do HCB
A instituição é pública, atendendo exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e é gerida pelo Instituto do Câncer Infantil e Pediatria Especializada (Icipe), através de uma parceria estabelecida com a Secretaria de Saúde do Distrito Federal. Inaugurado em 2011, o hospital foi idealizado por Ilda Peliz, então presidente da ONG Associação Brasileira de Assistência às Famílias de Crianças Portadoras de Câncer e Hemopatias (Abrace).
Embora a construção do ambulatório tenha contado com doações de pessoas e empresas, e voluntários atuem regularmente no local, o funcionamento cotidiano do hospital é financiado com recursos do Governo do Distrito Federal (GDF), por meio de um Contrato de Gestão. Essa estrutura explica, em parte, a percepção de dependência de doações, mas a operação principal é mantida com verbas públicas.
Crise financeira recente e impacto nos serviços
As declarações de Chaiany no BBB ocorrem logo após a maior crise financeira já enfrentada pelo Hospital da Criança de Brasília. Revelada pela TV Globo em dezembro de 2025, a crise foi caracterizada pela falta de repasses regulares do GDF nos meses anteriores, o que levou a unidade a fechar leitos de UTI e suspender atendimentos temporariamente.
A situação se agravou a ponto de o Ministério da Saúde, através do DenaSUS, realizar uma vistoria no hospital após denúncias. A Secretaria de Saúde liberou duas parcelas emergenciais, somando R$ 10 milhões, valor considerado insuficiente pela gestão do HCB para cobrir a dívida acumulada. A Justiça chegou a determinar que o GDF liberasse R$ 69 milhões para a instituição.
Segundo o Ministério Público, o hospital é responsável por 52% dos leitos de UTI pediátrica na rede pública do Distrito Federal, destacando sua importância crítica para a saúde infantil na região. Felizmente, após os repasses, a instituição já voltou a operar normalmente, retomando seus serviços essenciais para a comunidade.
A história de Chaiany e Lara não apenas emociona, mas também ressalta a relevância de hospitais públicos como o HCB, que oferecem atendimento de qualidade através do SUS, mesmo diante de desafios financeiros. A experiência pessoal da participante do BBB serve como um testemunho poderoso sobre a resiliência das famílias e a dedicação dos profissionais de saúde em meio a adversidades.
