Camelôs do Recife vendem camiseta de Wagner Moura em 'O Agente Secreto'
Camelôs vendem camiseta de Wagner Moura no Recife

Uma febre de consumo tomou conta das ruas do Centro do Recife, impulsionada pelo sucesso nacional do filme "O Agente Secreto". Camelôs começaram a vender uma versão não oficial da camiseta retrô do bloco Pitombeira dos Quatro Cantos, peça icônica usada pelo ator Wagner Moura em duas cenas do longa pernambucano. O fenômeno ilustra como a cultura popular e o cinema se entrelaçam, gerando oportunidades e conflitos no comércio informal.

Sucesso nas bancas do São José

O g1 encontrou a camiseta sendo comercializada em uma loja na Rua Tobias Barreto, no movimentado bairro de São José. O preço unitário é de R$ 60,00, com uma promoção que oferece duas peças por R$ 100,00. Um vendedor, que preferiu manter o anonimato, revelou que a procura explodiu após o esgotamento das camisetas originais na sede da agremiação, localizada em Olinda.

"É para o carnaval e para o Oscar. A aposta é essa. E para depois. Porque, depois que ganhar o Oscar, a turma vai querer mais ainda", explicou o comerciante, demonstrando otimismo com as vendas. Ele e seu parceiro adquiriram 50 unidades em diversos tamanhos, vindas do interior de Pernambuco, mais precisamente de Caruaru, no Agreste do estado.

Fenômeno pós-Globo de Ouro

O interesse pela peça ganhou força significativa após a cerimônia do Globo de Ouro, realizada no dia 11 de janeiro. Na ocasião, "O Agente Secreto" conquistou dois prêmios importantes: Melhor Filme de Língua Não Inglesa e Melhor Ator de Drama para Wagner Moura. Esse reconhecimento internacional amplificou o desejo dos fãs em possuir um item vinculado à produção.

Nos dois primeiros dias de vendas, oito camisetas foram comercializadas. Caso o estoque se esgote rapidamente, os vendedores planejam fazer novos pedidos. Além do ponto fixo no São José, eles avaliam expandir as vendas para as prévias de carnaval em Olinda, capitalizando a atmosfera festiva.

Diferenças em relação ao original

O dono da banca, que assistiu ao filme, destacou uma adaptação feita na versão falsificada para torná-la mais atrativa. "Pedi para botar um brilhinho. Assim, fica mais legal para quem vai pular o carnaval", afirmou. Enquanto isso, a Pitombeira divulgou em suas redes sociais dicas para identificar a peça autêntica, que incluem a etiqueta da malharia Atlântico, a cor amarelo mostarda e a confecção 100% em algodão.

Preocupação da agremiação

Para Hermes Neto, presidente da Pitombeira, as vendas informais representam uma ameaça financeira significativa. A troça planejava vender pelo menos 5 mil camisetas oficiais para custear os desfiles de 2025 e 2027. "A gente só tem uma coisa dessa, para que o bloco tenha uma receita, uma vez. E aparecem essas pessoas assim, que a gente desconhece. Mas não tem o que fazer", lamentou.

As peças originais continuam disponíveis na sede da agremiação, na Rua 27 de Janeiro, no Carmo, em Olinda, além dos shoppings Patteo e RioMar, no Recife. O filme de Kleber Mendonça Filho, que concorre ao Oscar em quatro categorias, incluindo Melhor Filme, segue aquecendo o mercado de produtos associados, evidenciando o poder do cinema na economia local.