Buscas por crianças desaparecidas no Maranhão seguem com força-tarefa menor e foco em investigação
As buscas pelos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, desaparecidos desde o dia 4 de janeiro no estado do Maranhão, completaram 22 dias neste domingo (25) e passaram por uma significativa mudança de estratégia. A força-tarefa, que antes mobilizava centenas de pessoas, agora atua de forma mais direcionada, com um foco intensificado na investigação policial e na adoção de ferramentas tecnológicas avançadas para auxiliar na localização das crianças.
Protocolo Amber Alert é ativado para ampliar alcance das buscas
Entre os recursos cruciais implementados está o protocolo Amber Alert, coordenado pela Polícia Civil do Maranhão e ativado por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Este sistema emite alertas emergenciais em casos de desaparecimento ou sequestro de crianças, utilizando plataformas da Meta, como Facebook e Instagram, para divulgar informações e imagens das vítimas em um raio de até 200 quilômetros do local do desaparecimento.
De acordo com o secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, o uso do Amber Alert é considerado essencial para ampliar o alcance das buscas pelos irmãos. "O alerta permanece ativo no feed de usuários da região, incluindo dados como nome, características físicas e contato para envio de informações", explicou o secretário. O protocolo é utilizado de forma excepcional, quando há indícios de que a criança ou adolescente esteja em risco de morte ou de lesão corporal grave.
Mudança na estratégia após 22 dias sem vestígios significativos
Após varreduras minuciosas em diversas áreas, sem a descoberta de pistas significativas, as autoridades informaram que as buscas serão reduzidas, enquanto a investigação policial será intensificada. Segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA), as equipes permanecem em prontidão para retomar as buscas em locais específicos caso novos indícios surjam.
"O trabalho continua. A Polícia Militar e a Polícia Civil, por meio do inquérito, vão dar mais vazão às suas atividades. Enquanto isso, buscas localizadas serão feitas ou refeitas de acordo com a necessidade", afirmou Maurício Martins. Mesmo com a mudança na estratégia, as buscas no rio Mearim seguem em andamento, e equipes especializadas continuam em prontidão para atuar em áreas de mata e lago.
Nos primeiros 20 dias de buscas pelas crianças, a força-tarefa percorreu mais de 200 quilômetros em operações por terra e por água, incluindo áreas de mata fechada e de difícil acesso. Mais de mil pessoas, entre agentes das forças de segurança estadual e federal, além de voluntários, participaram das ações. Desde o desaparecimento, buscas em áreas de mata e no rio Mearim ocorreram paralelamente à investigação, conduzida por uma comissão especial de segurança composta por dois delegados de São Luís e uma delegada de Bacabal.
Menino de 8 anos auxilia nas buscas e reconstitui trajeto
O menino de 8 anos, primo das crianças desaparecidas, também ficou perdido na mata por cerca de três dias e foi encontrado em 7 de janeiro por carroceiros que passavam pela região. Após 14 dias internado, ele teve alta na terça-feira (20) e a Justiça do Maranhão concedeu autorização para que ele pudesse participar das buscas pelos primos.
Um dos locais citados por ele foi a chamada "casa caída", onde cães farejadores confirmaram a passagem das crianças. Segundo os bombeiros, o local fica a cerca de 3,5 km em linha reta da comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, de onde as crianças desapareceram. Considerando obstáculos naturais, como trilhas, lagoas e áreas de mata, a distância percorrida até o local pode chegar a aproximadamente 12 km.
As pistas dadas por ele ajudaram a reconstruir parte do trajeto feito pelas crianças dentro da mata e a esclarecer o momento em que o grupo teria se separado. O menino contou que a intenção inicial era ir até um pé de maracujá próximo à casa de seu pai. Para evitar serem vistos por um tio, ele decidiu entrar por outro trecho da mata. A partir desse ponto, o grupo teria se perdido. O menino afirmou ainda que não havia nenhum adulto acompanhando o trajeto e que as crianças não encontraram frutas para se alimentar.
Secretário faz apelo contra fake news que prejudicam investigação
O secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, usou as redes sociais para alertar que os boatos que estão sendo espalhados sobre o caso prejudicam as buscas e aumentam a dor da família. "É inaceitável e irresponsável a disseminação de notícias falsas sobre o desaparecimento das crianças no quilombo São Sebastião dos Pretos, em Bacabal. Boatos apenas ampliam a dor da família e prejudicam diretamente os trabalhos de busca", afirmou Maurício Martins.
O secretário destacou, ainda, que espalhar boatos ou repassar informações falsas às forças de segurança é crime e reforçou que as informações oficiais sobre o caso são divulgadas por meio de porta-vozes autorizados ou de notas oficiais. Ele informou que todas as pessoas ouvidas até o momento, durante a investigação do desaparecimento dos irmãos, foram na condição de testemunhas e que "qualquer informação diferente disso é falsa".