Carnaval de SP impulsiona vendas de passagens aéreas com alta de 11% e lota hotéis
Venda de passagens aéreas para carnaval de SP sobe 11%

Carnaval de São Paulo impulsiona vendas de passagens aéreas com alta de 11% e lota hotéis

A venda de passagens aéreas para o carnaval de São Paulo apresentou um crescimento expressivo de 11% em comparação com o ano anterior, conforme dados divulgados pela Embratur. Esse aumento reflete a força e atratividade da festa na capital paulista, que atrai tanto foliões que curtem os blocos de rua quanto aqueles que acompanham os desfiles no Sambódromo do Anhembi.

Impacto econômico e preparação antecipada

O crescimento do carnaval paulistano vem batendo recordes de público ano após ano, e o setor hoteleiro acompanha essa expansão de perto. De acordo com a Associação da Indústria de Hotéis do Estado, a expectativa é de uma taxa de ocupação de 50% na capital em 2026, representando um aumento de cinco pontos percentuais em relação ao registrado no ano passado.

No ano anterior, o carnaval de São Paulo recebeu impressionantes 16,5 milhões de foliões ao longo dos oito dias de festa. Desse total, 1,5 milhão eram turistas, segundo informações da SPTuris. Para receber tamanha multidão, a organização envolve uma operação de grande porte, mobilizando diferentes áreas do poder público, desde o planejamento urbano até a saúde e segurança.

Logística e experiência pessoal dos participantes

A empresária Angel Pereira já está imersa nos preparativos para viver seu sexto carnaval como destaque da Mocidade Alegre. No topo de um carro alegórico, ela desfila com uma fantasia de grandes proporções, o que exige uma logística cuidadosa. "Eu me hospedo já na quinta. Eu desfilo no sábado, e na quinta eu já me hospedo para já entrar aí numa concentração", conta Angel. "As minhas roupas são muito grandes. E são pesadas. Então eu não teria como me vestir em casa."

O hotel escolhido por Angel, localizado ao lado do Sambódromo, está completamente lotado há um mês. Os 780 quartos foram reservados com antecedência, e, por enquanto, só há vagas disponíveis para o desfile das campeãs. Aos poucos, o espaço vai ganhando cara de carnaval para receber cerca de 1.500 hóspedes, além de milhares de pessoas que circulam pelo local durante os dias de desfile.

Movimentação e geração de empregos temporários

Segundo a gerente-geral do hotel, Daniela Pereira, o movimento extrapola os quartos ocupados. "Nós temos uma média de 6 mil pessoas circulando, entre escolas de samba, foliões, pessoas que querem estar nesse meio de carnaval, assessor, cabeleireiro, maquiador, é muita gente circulando", afirma.

O impacto do carnaval também se traduz em geração de empregos temporários. Para dar conta da ocupação total, o hotel próximo ao Sambódromo contratou quase 200 pessoas. Entre elas está Juliano Joshua Vieira de Freitas, o mais novo estagiário da recepção, que encara seu primeiro carnaval no trabalho. "É um pouco desafiador. Para mim é a primeira vez trabalhando no carnaval, e especificamente na área de recepção. Então é tudo muito novo, se adequar a isso", afirma Juliano.

Estrutura de acolhimento e segurança

Além da estrutura de segurança, saúde e transporte, a Prefeitura de São Paulo montou uma operação especial de acolhimento para turistas e foliões. Ao todo, 2.875 guias de turismo vão atuar durante o carnaval paulistano, nos circuitos de rua, no Sambódromo, em estações de metrô, no Terminal Rodoviário do Tietê e no Aeroporto de Congonhas.

Essa iniciativa faz parte da Ação de Apoio ao Turista, programa que disponibiliza guias bilíngues nos principais eventos do calendário estratégico da cidade. Eles orientam o público sobre horários dos desfiles, localização de banheiros, acesso ao transporte público e outros serviços essenciais.

Neste ano, serão 2.249 guias nos circuitos de carnaval de rua, 150 nos desfiles do Grupo Especial e das Campeãs no Sambódromo, 60 no Terminal Rodoviário do Tietê e no Aeroporto de Congonhas, e 384 em estações de metrô próximas aos eventos, como Vila Madalena, Sé, República, Anhangabaú, Barra Funda e Consolação.

Perfil do público e perspectivas futuras

Segundo dados do Observatório de Turismo e Eventos, mais de 30% do público do Carnaval de Rua de São Paulo participou da festa pela primeira vez. Além disso, 16,5% dos foliões eram turistas. Nos desfiles das escolas de samba, 30% do público veio de fora, sendo mais de 20% da região metropolitana e do interior do estado.

O presidente da SPTuris, Gustavo Pires, destaca a importância do papel do poder público na organização do evento. "O folião tem que ir lá se divertir, os organizadores dos blocos têm que proporcionar um grande lazer, cultura e arte pra esse folião, e nós, como poder público, temos que garantir que isso aconteça da melhor forma possível", diz Pires. "Seja pelo acesso, seja pela segurança — então seguranças privados fazerem revista para entradas nos blocos. Isso é fundamental para proteger de uma questão de vidro, possibilidade de alguém se machucar. Secretaria de Saúde atuando muito bem, com postos médicos para qualquer eventualidade", completa.

Com o crescimento contínuo do carnaval paulistano, a expectativa é que o evento continue a impulsionar a economia local, atraindo cada vez mais turistas e gerando benefícios para diversos setores, desde a hotelaria até o comércio e serviços.