O funkeiro MC Ryan SP deixou a Penitenciária II de Mirandópolis, no interior de São Paulo, no dia 14 de maio, após a Justiça Federal conceder habeas corpus. Ele estava detido desde 15 de abril, quando foi preso durante a Operação Narco Fluxo, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 1,6 bilhão.
Detalhes da prisão e da soltura
MC Ryan SP foi detido em uma festa na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, litoral paulista. Inicialmente, foi levado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) Belémzinho, em São Paulo, onde ficou até 30 de abril. Em seguida, foi transferido para a Penitenciária II de Mirandópolis, conhecida como “espinha de peixe”, onde permaneceu em regime fechado até a soltura.
Ao deixar a unidade, o cantor negou os crimes e cantou uma música que compôs durante o período de reclusão.
Características da penitenciária
A Penitenciária ASP “Lindolfo Terçariol Filho” tem capacidade para 1.247 detentos, mas atualmente abriga 1.661 pessoas, segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP). O modelo arquitetônico “espinha de peixe”, também chamado de “poste telegráfico”, foi desenvolvido por Francisque Poussin em 1898. Consiste em um longo corredor central com alas perpendiculares, facilitando a supervisão dos detentos.
No Brasil, esse modelo foi usado em complexos como o Carandiru, na capital paulista. A unidade de Mirandópolis possui seis pavilhões habitacionais, setores de inclusão, enfermaria, escola, cozinha e padaria. O regime é fechado, recebendo presos provisórios e condenados, exceto por crimes de violência e exploração sexual. A equipe é composta por policiais penais, servidores administrativos e profissionais de saúde, como médicos, dentistas, psicólogos e assistentes sociais.
Dias na prisão
Segundo a SAP, durante os 14 dias em Mirandópolis, MC Ryan SP ficou em observação no setor de inclusão de 30 de abril a 4 de maio, sendo depois transferido para o Pavilhão Habitacional I, onde conviveu com outros detentos. Teve acesso a alimentação, banho de sol, atividades esportivas, leitura e dinâmicas religiosas.
Investigação e decisão judicial
A Operação Narco Fluxo, da Polícia Federal, investiga um esquema bilionário de lavagem de dinheiro envolvendo bets ilegais, rifas clandestinas e tráfico internacional de drogas. O grupo teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão por meio de empresas de fachada, contas de passagem, criptomoedas e remessas ao exterior.
Na decisão que concedeu a liberdade, a desembargadora afirmou que a prisão preventiva não poderia ser mantida sem elementos suficientes para denúncia. Até o momento, nenhum investigado foi formalmente denunciado, e a PF pediu mais 90 dias para concluir as investigações. A magistrada destacou que a prisão cautelar não pode ser usada como instrumento para facilitar investigações e que não havia risco de interferência nas provas, já que os equipamentos eletrônicos haviam sido apreendidos.
Também foi apontado excesso de prazo na investigação, desrespeitando os prazos do Código de Processo Penal.
Outros beneficiados
A Justiça também concedeu liberdade a Marlon Brendon Coelho Couto da Silva, o MC Poze do Rodo, e aos influenciadores Chrys Dias e Débora Paixão. Segundo a PF, empresas do setor musical e de entretenimento teriam sido usadas para misturar receitas lícitas com recursos de apostas ilegais e rifas digitais. MC Ryan SP é apontado como suposto “beneficiário final” da estrutura investigada.
Operação Narco Fluxo
A operação teve origem na análise de arquivos do iCloud do contador Rodrigo de Paula Morgado, obtidos durante a Operação Narco Bet, que por sua vez derivou da Operação Narco Vela, ambas de 2025. As investigações apuram lavagem de dinheiro ligada a apostas, tráfico internacional de drogas, grandes quantias em espécie, transferências bancárias e criptoativos.
Foram apreendidos veículos, valores em espécie, documentos, equipamentos eletrônicos, armas e um colar com imagem do narcotraficante Pablo Escobar. Ao todo, 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão foram cumpridos em oito estados e no Distrito Federal. A investigação continua, e novas fases não estão descartadas.



