Planeta Atlântida: 30 anos transformando batidas em laços familiares
Três décadas após a primeira batida ecoar na Saba, o Planeta Atlântida se consolida como muito mais do que um simples festival de música. Ele se tornou um verdadeiro rito de passagem para milhares de gaúchos, um ponto de encontro onde diferentes gerações se reconhecem na mesma vibração, unidas por algo que transcende o som que sai dos palcos.
Herança afetiva que atravessa o tempo
Na edição histórica de 30 anos, realizada na última sexta-feira (30) e sábado (31), famílias transformaram o evento em uma preciosa herança afetiva. Histórias emocionantes mostram que, no Planeta, as memórias não se acumulam simplesmente - elas se multiplicam e se renovam a cada nova geração que atravessa seus portões.
De mãe para filha: a tradição continua
Rafaela Roman tenta calcular há quanto tempo frequenta o festival: "Vinte e poucos anos pra mais já que eu frequento o Planeta Atlântida. Quatro anos que eu comecei a trazer minha filha", revela. Ao seu lado, a filha Antonella Roman brilha de felicidade ao explicar por que valoriza tanto essa experiência compartilhada: "É muito bom, é muito divertido, porque ela topa tudo comigo".
Para garantir o lugar mais próximo do palco para a filha, Rafaela fez verdadeiros sacrifícios, chegando às 1h da manhã. Antonella complementa: "Literalmente, o que que fala? Só quem vai sente, porque é uma sensação incrível estar aqui".
Reencontro após 23 anos
Para Camila Justo, retornar ao Planeta Atlântida após 23 anos de ausência foi como entrar em uma cápsula do tempo. "Fazia 23 anos que eu não vinha, e agora eu vim pra acompanhar a primeira vez delas, minha filha e minha afilhada", emociona-se.
Sua filha, Giovanna Rocha, aproveitou o momento para expressar gratidão: "Muito obrigada mãe por estar aqui comigo, me apoiando sempre nas minhas decisões, nas minhas escolhas". Entre elas, o festival representa muito mais que música - é cumplicidade e um reencontro com a própria juventude de Camila.
Do primeiro Planeta ao trigésimo aniversário
Inês Silveira viveu uma experiência especialmente simbólica. Em 1996, na estreia histórica do Planeta Atlântida, ela tinha 14 anos e era ávida fã dos Mamonas Assassinas. Trinta anos depois, caminha pela arena com a filha que acaba de completar exatamente a mesma idade.
"Eu vim no primeiro planeta em 1996, eu tinha 14 anos, e hoje eu tô vindo trazer a minha filha que tá fazendo 14 anos. Assim como eu era fã dos Mamonas, ela é fã do Veigh, também de ter pastas e... tipo fã clube, assim", compara Inês, mostrando como os ídolos mudam, mas a paixão juvenil permanece.
Sua filha Giovana resume tudo em poucas palavras carregadas de emoção: "Obrigada, mãe, te amo!"
Da solidão à celebração familiar
Eduarda Melo chega ao Planeta com a energia contagiante de quem sabe estar exatamente onde deseja: "Eu amo estar aqui, eu quero vir sempre, eu amo", declara com um sorriso largo.
Sua tia, Cristiane, lembra com nostalgia dos tempos em que frequentava o festival sozinha, mas celebra a nova dinâmica familiar: "Eu amo estar aqui com os meus sobrinhos, com o meu filho, com todo mundo. Antigamente era sozinha, agora venho com eles".
Um fenômeno que transcende a música
O Planeta Atlântida prova, após três décadas de existência, que sua verdadeira magia reside na capacidade de conectar pessoas através do tempo. Não se trata apenas de uma sequência de shows, mas de um espaço onde:
- Pais revivem sua juventude através dos olhos dos filhos
- Filhos descobrem novas dimensões do relacionamento familiar
- Memórias são criadas e recriadas a cada nova edição
- Laços afetivos se fortalecem ao som da batida perfeita
Enquanto o público lota a arena do Planeta Atlântida 2026, fica evidente que este festival gaúcho se transformou em um patrimônio emocional que passa de geração em geração, mantendo viva a chama da paixão musical e familiar.