Baladeira vira esporte em Palmas: campeonato resgata tradição e reúne gerações
Campeonato de baladeira em Palmas une tradição e esporte

Baladeira se transforma em competição esportiva em Palmas

Moradores de Palmas, capital do Tocantins, estão revitalizando uma tradição cultural através de um campeonato de baladeira. Conhecido também como bodoque, atiradeira ou estilingue em diferentes regiões do Brasil, este objeto simples carrega consigo uma rica história e identidade local.

De brinquedo a esporte: a evolução da baladeira

Tradicionalmente fabricado com galhos de madeira em formato de "Y", tiras de borracha e um pequeno pedaço de couro, o estilingue foi durante décadas uma das brincadeiras mais acessíveis para crianças do interior. A diversidade de nomes reflete a pluralidade cultural brasileira, demonstrando como um mesmo artefato adquire significados distintos conforme o território.

Embora atualmente seja possível encontrar versões modernas com corpo metálico, a essência do objeto permanece a mesma. Sem depender de tecnologia avançada ou alto custo, esta atividade estimula criatividade, coordenação motora e convivência em grupo, valores que transcendem gerações.

Campeonato reúne adultos e crianças na capital tocantinense

No Tocantins, a tradição não apenas se manteve viva como evoluiu para competições organizadas que atraem participantes de diversas cidades. No final de janeiro, o loteamento Coqueirinho, na zona rural de Palmas, sediou o 1º Campeonato de Baladeira, evento que já havia sido realizado outras duas vezes na capital.

A disputa acumulou impressionantes 100 inscrições, reunindo pessoas de várias regiões do estado. A iniciativa partiu dos amigos Evandro Abreu e Getúlio da Silva, conhecido como Jacaré, que decidiram resgatar de forma saudável a brincadeira que marcou suas infâncias.

"A gente fez o campeonato do tiro esportivo justamente para não incentivar as pessoas a usarem o estilingue como arma de caça, para matar pássaros e pequenos animais. Então estamos utilizando nessa modalidade do tiro esportivo para resgatar e preservar a natureza", explicou Evandro.

Regras e dinâmica da competição

Para pontuar no campeonato, os competidores precisam demonstrar precisão ao acertar o alvo a uma distância de dez metros. A munição utilizada são bolinhas de gude, em uma adaptação criativa que evita danos ambientais.

Cada participante recebe cinco bolinhas de gude e enfrenta cinco alvos. O sistema de eliminação progressiva premia quem derruba mais alvos, com os dois finalistas disputando um prêmio em dinheiro de R$ 500.

Este evento representa mais do que uma simples competição; é uma celebração da memória afetiva coletiva e uma forma inovadora de valorizar costumes populares que fazem parte do patrimônio cultural brasileiro.