
Quem já foi sabe: a primeira grande decisão da Festa do Peão de Barretos não é qual show ver, mas onde plantar bandeira depois de um dia de muito forró, poeira e emoção. E aí, meu amigo, é aqui que o céu e o inferno country se separam.
De um lado, a experiência crua, raiz e… digamos, integralmente conectada com a terra do camping. Do outro, o conforto (e o preço salgado) de um hotel com ar-condicionado e chuveiro quente. Dois mundos, uma mesma paixão pelo sertanejo.
O Camping: A República da Bagaceira Autêntica
Pense numa cidade de barracas que surge do nada. O camping oficial da festa é um universo à parte, um caldeirão de histórias onde a palavra de ordem é improviso e comunidade. A galera que escolhe essa opção não vai só para curtir os shows; vai para viver uma experiência total, 24 horas por dia de festa.
E os relatos? São de cair o queixo de tão engraçados. Tem gente que, na falta de um chuveiro digno, parte para o jeitinho brasileiro: um banho ‘selvagem’ no Rio Pardo, que fica ali pertinho. É claro, não espere águas termais. É uma aventura, no mínimo,… refrescante? Outros se viram com chuveiros a solar – leia-se, um saco plástico negro cheio d'água esquentando no sol de 40°C do interior paulista.
Mas a verdade é que ninguém tá lá pelo luxo. A graça tá na confraternização, no churrasco com o vizinho de barraca que você acabou de conhecer, na cerveja sempre gelada (de algum jeito) e na sensação de que você está no epicentro de toda a bagaceira. É cansativo? Sem dúvida. É inesquecível? Ah, com certeza.
O Hotel: O Oásis do Conforto (e do Bolso Mais Vazio)
Agora, se a sua ideia de diversão inclui voltar para um lugar que não parece um forno, tomar um banho de verdade e dormir numa cama de fato, o hotel é seu porto seguro. Só prepare o cartão, porque a lei da demanda e oferta é cruel nessa época.
Os preços disparam de uma forma que dá até calafrio. Diárias que normalmente custam X facilmente multiplicam por três, quatro, cinco. É o preço a se pagar pelo privilégio de recarregar as energias longe do alvoroço. Muita gente acha que vale cada centavo, especialmente para quem já passou dos 30 e o corpo simplesmente não responde mais como antes à maratona de três dias no chão de terra.
É a opção para quem quer curtir os shows com tudo, mas depois quer um silêncio sagrado e um travesseiro fofinho. Um luxo necessário, diriam alguns.
E a Tal da ‘Praia’?
Ah, sim! Uma das grandes novidades que tão rolando por lá é a tal da ‘praia artificial’. Imagina só: no meio do sertão, uma área com areia, piscina e um vibe de resort. Parece um sonho, né? Pois é, e como todo sonho, tem seu preço. O acesso é restrito a alguns tipos de ingresso ou áreas VIP.
Para a maioria do público, que tá no geral ou no camping, a ‘praia’ é mais uma paisagem para admirar de longe. A verdadeira praia, para eles, continua sendo a sombra de árvore que conseguirem encontrar ou a beira do rio, é claro.
No final das contas, a escolha entre camping e hotel em Barretos define que tipo de história você vai contar depois. Vai ser a saga épica da superação no camping ou o conto de fadas confortável do hotel? Seja qual for, uma coisa é certa: a Festa do Peão nunca, jamais, será uma experiência comum.