Para Rosemeire Rosa e Heitor Henrique, o caminho até o altar foi marcado por superação e solidariedade. O casal, que precisou realizar sua primeira cerimônia nos corredores da Santa Casa de Lins após a internação da noiva, pôde finalmente viver o casamento dos sonhos em um castelo no último sábado (10). A celebração fez parte da primeira edição do projeto Casamento dos Sonhos, que promoveu uma festa coletiva para 25 casais de baixa renda da cidade.
Da enfermaria ao castelo: uma jornada emocionante
A história de amor de Rosemeire e Heitor ganhou contornos inesperados quando a noiva foi internada 11 dias antes da data original do casamento, em decorrência de um quadro inflamatório. Com a alta hospitalar adiada, a psicóloga Rubia da Silva e a equipe do 5º andar da Santa Casa transformaram o imprevisto em uma celebração íntima e emocionante no dia 20 de dezembro.
"Parecia que eu estava vivendo um sonho", descreve Rosemeire sobre a segunda festa. A oportunidade de repetir os votos em um cenário de conto de fadas surgiu quando o casal foi convidado para o Casamento dos Sonhos. "Quando eu entrei [no castelo], passou um filme na minha cabeça de tudo que eu sofri naquele hospital e que já aconteceu comigo. Foi muito lindo", completou a noiva.
Uma festa construída por muitas mãos
O evento, realizado em um castelo da região de Lins, contou com o apoio fundamental do Fundo Social de Solidariedade de Lins. A estrutura oferecida aos casais foi completa e gratuita, incluindo:
- Buffet para os convidados
- Apresentação de banda e música clássica
- Serviços profissionais de barba, cabelo e maquiagem
- Sorteios de diárias em resorts
Robson Peres, um dos idealizadores, explicou a motivação: "A gente pensou nesse casamento como se fosse para nós mesmos. Esses casais merecem viver esse momento de forma plena, com alegria, emoção e dignidade". O castelo foi cedido sem custos pelos proprietários, assim como todos os serviços e presentes.
Humanização que transforma vidas
A cerimônia hospitalar que deu início a essa jornada nasceu de um desabafo da própria Rosemeire durante sessões de psicologia. A psicóloga Rubia da Silva viu naquela situação uma oportunidade de humanização. "Possibilitar o casamento foi resgatar um sonho de vida e mostrar que o hospital também fala de vida", refletiu a profissional em entrevista ao g1.
A ação, embora inusitada para o ambiente hospitalar, mobilizou e animou toda a equipe. A noiva teve direito a maquiagem, cabelo arrumado e até música ao vivo, executada pela Orquestra Sinfônica Jovem de Lins.
Márcia Pandolfi, presidente do Fundo Social de Lins, destacou o significado social do evento coletivo: "Desejo que cada casal construa uma trajetória de companheirismo, amor e muita fé, fortalecendo não apenas seus lares, mas também nossa cidade". Entre flores, música e a elegância do castelo, cada detalhe foi cuidadosamente planejado para que os 25 casais se sentissem protagonistas de um dia inesquecível.
A história de Rosemeire e Heitor prova que, com solidariedade e empatia, é possível transformar adversidades em momentos de pura celebração, escrevendo um capítulo feliz que começou nos corredores de um hospital e culminou no salão de um castelo.