Shakira encerra turnê no Rio com show histórico em Copacabana
Shakira encerra turnê no Rio com show histórico em Copacabana

Foi com um macacão brilhante estampado com a bandeira do Brasil que Shakira subiu ao palco na praia de Copacabana neste sábado (2). "Boa noite, Rio", ela gritou para uma multidão já impaciente com seu atraso de mais de uma hora enquanto entoava "La Fuerte".

O show, previsto para as 21h30, teve início às 23h05. Foi um atraso maior do que o de Lady Gaga no ano passado e o de Madonna, no retrasado. A assessoria da cantora informou ao canal Multishow que a demora se deveu a problemas pessoais. Mas após um discurso emocionado, o público já parecia tê-la perdoado.

"Não posso acreditar que estou aqui com vocês. E pensar que eu cheguei aqui quando tinha 18 anos, sonhando em cantar para vocês. E agora olha isso." "Não existe melhor coisa do que quando uma lobinha se encontra com sua alcateia brasileira", continuou, evocando o animal que intitula um de seus discos, "She Wolf", e em cuja simbologia de mulher forte e independente ela tanto vem insistindo em sua atual turnê. O termo vem se popularizando nas redes como uma descrição de uma mulher independente, forte, empoderada.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Uma apresentação de drones que antecedeu o show também remeteu ao bicho, mostrando formações que ora remetiam a uma loba, ora à própria Shakira. "Vocês já sabem que a minha vida não tem sido fácil nos últimos anos. Mas o que sei é que nós, mulheres, a cada vez que caímos nos levantamos um pouco mais sábias, fortes, resilientes. Porque as mulheres já não choram", acrescentou mais tarde em referência ao título de seu álbum mais recente, "Las Mujeres Ya No Lloran", de 2024. "E por isso esse show vai ser dedicado a todas nós".

Com menos de meia hora de show, ela já tinha emendado uma série de hits, incluindo as mais recentes "Te Felicito" e "Girl Like Me" às clássicas "Las de La Intuición", "Inevitable" e "Estoy Aquí". A última fez o público cantar a plenos pulmões. Depois, exaltou a versão maternal de sua loba, primeiro com uma versão de "Acróstico", com participação, gravada, de seus dois filhos nos telões, e depois com uma apresentação de "Soltera".

Shakira dedicou a última às mães solteiras, citando a estatística de sua prevalência no Brasil: 20 milhões. "Eu sou uma delas", completou, em referência à polêmica separação do ex-jogador de futebol Gerard Piqué em 2022.

O momento latino de Shakira foi o que mais pareceu engajar o público. Com um vestido justinho que remetia a uma teia de fios dourados, a colombiana esbanjou sensualidade e mostrou seus movimentos de quadril tão característico em uma sequência que incluiu "Copa Vacía", "La Bicicleta" e "Hay Amores" - finalizada, para loucura da plateia, com "Hips Don't Lie". Então, convocou a salsa de sua Colômbia natal para interpretações de "Chantaje" - iniciada no camarim, em um momento metalinguístico - e "Loca". E fez uma performance impressionante de dança do ventre cantando "Ojos Así".

A sensualidade deu lugar a um tom nostálgico quando uma montagem lembrando o início da carreira da artista tomou os telões - um início em que, como ela ressaltou, o Brasil teve um grande papel. Ela cantou dois sucessos da época, "Pies Descalzos, Sueños Blancos", e "Antología", e chamou Caetano Veloso ao palco para uma música que Shakira disse tocar para os filhos.

Foi nessa última parte do show que se concentraram as participações especiais - antes de Caetano, Anitta já tinha subido ao palco para cantar uma parceria entre as duas incluída no álbum mais recente da brasileira, "Choka Choka". E que participações. O palco se transformou em um Carnaval fora de hora com uma versão de "O que É o que É", de Gonzaguinha, cantada junto de Maria Bethânia e da bateria da Unidos da Tijuca ocupando todo o palco. Depois, foi a vez de Ivete Sangalo fazer o público pular com "País Tropical" - a energia era tal que a sensação de que Shakira não tinha decorado bem as letras não importou.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

A animação continuou alta até o fim do show, com o público cantando e dançando ao som dos sucessos "Whenever, Wherever" e "Waka Waka", composta para a Copa do Mundo na África do Sul, em 2010. O encerramento do show seguiu o roteiro das demais paradas da turnê de "Las Mujeres Ya No Lloran", com o aparecimento de uma loba inflável imensa no centro do palco, seus olhos dois feixes de laser, e a apresentação das músicas "She Wolf", do álbum homônimo, e "Bzrp Music Sessions, Vol. 53/66", repleta de indiretas nada sutis da cantora para o ex-marido. A diferença ficou por conta do figurino - também este collant trazia as cores da bandeira brasileira.

O público, há muito conquistado, obedeceu ao chamado de Shakira e uivou a seu comando. E continuou vibrando quando Shakira desceu do palco para circular entre os convidados da área VIP. "Eu nunca vou esquecer essa noite. Obrigada, Brasil", despediu-se a cantora enquanto o ritmo de uma bateria de escola de samba aos poucos se apossava da música.