Mourinho comanda jogada ousada e goleiro vira herói na classificação do Benfica
O futebol europeu testemunhou uma das cenas mais dramáticas e inusitadas da temporada na noite desta quarta-feira, 28 de janeiro de 2026. Em um lance que entrará para a história da Champions League, o goleiro ucraniano Anatoliy Trubin, do Benfica, subiu ao ataque por ordem expressa do técnico José Mourinho e marcou o gol que classificou a equipe portuguesa para os playoffs da competição continental.
O desespero final e a decisão de Mourinho
O cenário era de tensão máxima no Estádio da Luz. O Benfica vencia o Real Madrid por 3 a 2 nos acréscimos do segundo tempo, mas essa vitória não era suficiente para garantir a classificação. Com 9 pontos e saldo de gols negativo, os portugueses precisavam de mais um tento para ultrapassar o Olympique de Marseille na disputa pela última vaga dos playoffs.
Quando o meio-campista Aursnes sofreu uma falta pelo lado direito do ataque, já se excedendo os 5 minutos de acréscimos indicados pelo árbitro, José Mourinho não hesitou. Em um gesto que misturava intuição e coragem, o experiente treinador ordenou que seu goleiro, Trubin, abandonasse a meta e se juntasse ao ataque na busca pelo gol decisivo.
O contraste com o fracasso de Neuer em 2018
A jogada de mandar o goleiro ao ataque em momentos desesperados não é inédita no futebol, mas raramente produz resultados positivos. O exemplo mais emblemático de fracasso nessa estratégia ocorreu na Copa do Mundo de 2018, quando o goleiro alemão Manuel Neuer subiu ao ataque na tentativa de empatar com a Coreia do Sul.
A diferença entre o desastre alemão e o sucesso português foi crucial. Enquanto Neuer perdeu a posse de bola em um domínio errado, permitindo que os coreanos ampliassem o placar e eliminassem a atual campeã mundial, Trubin mostrou precisão cirúrgica. O ucraniano aproveitou o cruzamento de Aursnes e cabeceou com firmeza para balançar as redes do Real Madrid, time que chegava ao jogo como maior vencedor da Champions League.
O contexto da classificação dramática
A partida era o último confronto da fase de liga do torneio, com todas as 18 partidas ocorrendo simultaneamente. O Benfica precisava vencer o poderoso Real Madrid e ainda obter vantagem nos critérios de desempate contra outros adversários. A equipe portuguesa andava em corda bamba durante toda a campanha, acumulando apenas 6 pontos antes desta rodada decisiva.
Curiosamente, Trubin nem sabia da necessidade exata de mais um gol. Momentos antes da jogada histórica, o goleiro ainda praticava a famosa cera para garantir a vitória por 3 a 2, sendo vaiado até pela própria torcida do Benfica. A revelação da classificação só veio quando as outras partidas da rodada terminaram, confirmando que o gol do goleiro havia sido absolutamente decisivo.
A celebração de Mourinho e o impacto histórico
A cena da comemoração capturou a essência do momento. José Mourinho, conhecido por seu pragmatismo e até certo ceticismo tático, correu em direção a um jovem gândula e abraçou-o em êxtase, compartilhando a incredulidade diante do que acabara de testemunhar. O técnico, que já conquistou praticamente todos os títulos importantes do futebol europeu, viveu uma de suas noites mais emocionantes na carreira.
Para Anatoliy Trubin, o gol representou muito mais do que uma simples estatística. O ucraniano, que nunca havia marcado como profissional, eternizou seu nome na história do Benfica e da Champions League. Sua intervenção no último lance do jogo garantiu ao time português a chance de continuar sonhando com o título continental, em uma campanha que parecia fadada ao fracasso.
O legado da noite no Estádio da Luz
Esta vitória dramática sobre o Real Madrid reforça a mística da Champions League como palco de momentos inesquecíveis. A ousadia de José Mourinho ao mandar seu goleiro ao ataque, contrastando com a cautela que normalmente caracteriza suas equipes, mostra que mesmo os técnicos mais experientes podem surpreender quando tudo está em jogo.
O Benfica agora segue para os playoffs da competição carregando o momentum desta conquista emocionante. Enquanto isso, o futebol mundial ganha mais um capítulo para sua coleção de histórias improváveis, provando mais uma vez que, dentro das quatro linhas, nada é impossível.