Messi, CR7 e Ochoa fazem história com seis participações em Copas do Mundo
Messi, CR7 e Ochoa: seis Copas do Mundo cada

A confirmação de Cristiano Ronaldo, Lionel Messi e Guillermo Ochoa nas listas para a Copa do Mundo de 2026 criou um marco inédito no futebol masculino: os três se tornaram os primeiros atletas a alcançar seis participações em Mundiais. O feito supera nomes históricos como Lothar Matthäus, Antonio Carbajal, Rafael Márquez e Gianluigi Buffon, que chegaram a cinco participações.

Aos 41 anos, Cristiano Ronaldo disputará seu sexto torneio por Portugal; Messi, aos 38, repetirá a marca pela Argentina; e o goleiro mexicano Ochoa, aos 40, ampliará uma trajetória iniciada ainda em 2006.

O que mudou no futebol para permitir carreiras tão longas?

Disputar seis Copas não significa apenas talento excepcional, mas também reflete o prolongamento da carreira no futebol de elite. Pelé pendurou oficialmente as chuteiras em 1º de outubro de 1977, aos 36 anos. Despediu-se dos gramados em um amistoso entre New York Cosmos e Santos, disputado no Giants Stadium, nos Estados Unidos. Mas sua última Copa havia sido em 1970, aos 29 anos, quando conquistou o tricampeonato mundial com o Brasil.

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Há vinte ou trinta anos, era raro ver jogadores de linha atuando em alto nível após os 35 anos. O que mudou? A preparação física era menos individualizada, a recuperação muscular mais limitada e o monitoramento do desgaste praticamente inexistente. Hoje, atletas de elite convivem com equipes inteiras dedicadas à longevidade esportiva: nutricionistas, fisiologistas, análise do sono, medicina regenerativa, controle de carga, dados biométricos em tempo real e programas específicos de prevenção de lesões.

Disciplina e adaptação: os segredos de CR7 e Messi

Cristiano Ronaldo talvez seja o exemplo mais emblemático dessa transformação. O português construiu uma reputação de disciplina quase científica em relação ao próprio corpo. Messi, que enfrentou problemas musculares no início da carreira, adaptou seu estilo de jogo ao longo dos anos, tornando-se menos explosivo fisicamente e mais cerebral. Em entrevistas, o argentino já afirmou que, “com o passar do tempo, precisou ser mais cuidadoso com o corpo e adaptar sua preparação para treinos e partidas”.

Mas o avanço da ciência esportiva não explica tudo. O futebol também mudou. Atletas experientes passaram a ser valorizados pelo repertório tático, liderança e leitura de jogo. Apesar de os veteranos perderem em explosão física para os mais jovens, frequentemente compensam com experiência e equilíbrio emocional acumulados ao longo da carreira — atributos que podem ser decisivos em partidas eliminatórias. Em seleções nacionais, onde o tempo de treinamento é curto, o conhecimento acumulado muitas vezes reduz as perdas físicas.

Um recorde que pode se tornar tendência

Mesmo com todas essas transformações favorecendo carreiras mais longas nos campos, disputar seis Copas permanece algo excepcional. Para alcançar esse número, um jogador precisa estrear cedo, evitar lesões graves, manter-se relevante por cerca de duas décadas e ainda nascer em um país capaz de se classificar regularmente para o Mundial. É uma combinação raríssima.

Mais do que um recorde individual, a marca alcançada por Messi, Ochoa e Cristiano Ronaldo pode representar um sinal de mudança no futebol moderno: a geração em que carreiras de elite deixam de terminar aos 30 anos e passam a avançar para perto dos 40. Sobreviver nesse nível por tanto tempo talvez nunca tenha exigido tanta preparação física, adaptação e gestão do próprio corpo.

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