A 61ª edição da Bienal de Veneza começou oficialmente no sábado, 9, na Itália, reafirmando seu posto como principal vitrine da arte contemporânea mundial. Em 2026, a mostra chega marcada por protestos geopolíticos, debates sobre colonialismo e meio ambiente.
Tema e curadoria
Com o tema In Minor Keys, a exposição central foi concebida pela curadora camaronesa Koyo Kouoh, que faleceu inesperadamente em 2025 antes da abertura oficial do evento. Apesar da perda, a bienal segue com sua programação, trazendo discussões relevantes sobre diversidade e representatividade.
Pavilhão do Brasil: histórico feminino
O Pavilhão do Brasil é um dos destaques e marca um momento histórico para o país. Pela primeira vez, o espaço é conduzido integralmente por mulheres. A curadoria é assinada por Diane Lima, enquanto as artistas escolhidas foram Rosana Paulino e Adriana Varejão. A exposição, intitulada Comigo Ninguém Pode, utiliza a planta ornamental popularmente associada à proteção espiritual como metáfora central para discutir resistência, toxicidade, memória colonial, religiosidade e cura.
Artistas brasileiros na lista principal
Fora dos pavilhões, na lista principal da Bienal de Veneza 2026, estão os brasileiros Ayrson Heráclito, Dan Lie e Eustaquio Neves, cujas práticas refletem temáticas contemporâneas e diversificadas.
Ayrson Heráclito
Nascido em Macaúbas (BA), Ayrson investiga a cultura afro-brasileira e as marcas da diáspora africana em obras que combinam performance, fotografia, vídeo e instalação, recorrendo a materiais simbólicos como açúcar, carne de charque e azeite de dendê em suas narrativas.
Dan Lie
Dan Lie explora processos naturais de transformação, decomposição e regeneração por meio de instalações que se relacionam com organismos vivos, como fungos e plantas — resultando em obras que mudam ao longo do tempo.
Eustaquio Neves
Já Eustaquio, nascido em Juatuba (MG), traz uma poética que expande os limites da fotografia e da imagem em movimento, abordando temas como ancestralidade, memória e racismo a partir de linguagens híbridas e sensíveis.
A presença brasileira na Bienal de Veneza 2026 reforça a diversidade e a força da arte nacional, com artistas que dialogam com questões sociais, políticas e ambientais, conquistando espaço em um dos eventos mais importantes do calendário cultural global.



