Show 'Bicudos Dois' Encanta com Telecoteco e Repertório Clássico no Teatro Ipanema
Show 'Bicudos Dois' Encanta no Teatro Ipanema com Samba

Show 'Bicudos Dois' Encanta com Telecoteco e Repertório Clássico no Teatro Ipanema

Alfredo Del-Penho e Pedro Paulo Malta apresentaram o show 'Bicudos dois' no Teatro Ipanema, no Rio de Janeiro, em 31 de março de 2026, dentro da programação do projeto 'Terças no Ipanema', com curadoria de Flávia Souza Lima. A apresentação, que estreou em 17 de dezembro na mesma cidade, confirmou a dupla como uma referência no cenário musical brasileiro, com uma performance que roçou a perfeição.

Harmonização Vocal e Repertório Afiado

O charme do show residiu na harmonização das vozes dos dois cantores, que evocam duplas históricas como Francisco Alves e Mário Reis. No palco, dividido com cinco músicos extraordinários – Marcos Thadeu (bateria e chapéu de palha), Paulino Dias (percussão), Paulo Aragão (violão, arranjos e direção musical), Pedro Aragão (bandolim e violão) e Rui Alvim (clarinete e clarone) –, a dupla tangenciou a maestria dos arranjos do álbum 'Bicudos dois', lançado em dezembro de 2025.

O roteiro mesclou joias raras do passado com músicas recentes que parecem vir de alguma época anterior. Destaques incluem:

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  • 'É preciso discutir' (Noel Rosa, 1932), revivido do repertório de Alves e Reis.
  • 'Santinha' (Chico Adnet e Mario Adnet, 2022), samba moldado para salão de gafieira.
  • 'Prece do jangadeiro' (Pedro Amorim, 2025), com canto em feitio de oração que mergulha no cancioneiro marítimo de Dorival Caymmi.

Momentos de Ginga e Dolência

A dupla mostrou total entrosamento, cantando às vezes em uníssono, como no ágil samba 'Seja breve' (Noel Rosa, 1935), e outras vezes esboçando um duelo, como no samba-choro de breque 'Desafio do malandro' (Chico Buarque, 1985). A abertura com 'Doralice' (Dorival Caymmi e Antônio Almeida, 1945) remeteu à gravação original do grupo vocal Anjos do Inferno, inspiração para João Gilberto, enquanto o encerramento no bis com 'O que será de mim' (Ismael Silva, Nilton Bastos e Francisco Alves, 1931) trouxe uma ode ao ócio.

Nem tudo foi ginga e balanço. A dolência de 'Reserva de domínio' (1985) evidenciou a beleza da melodia de Paulo César Pinheiro e Mauro Duarte, com melancolia reforçada pelo choro da cuíca de Paulino Dias. Já a dor de cotovelo de 'Pergunte aos meus tamancos' (Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves, 1936) foi filtrada pelo telecoteco característico da dupla.

Extras do Repertório e Considerações Finais

Além do álbum 'Bicudos dois', sequência de 'Dois bicudos' (2004), a dupla extrapolou o repertório, cantando 'Foi uma pedra que rolou' (Pedro Caetano, 1940) – regravada no disco original de 2004 – e 'Canção para inglês ver' (1931), herdada do show 'Lamartiníadas' (2005) em torno da obra de Lamartine Babo. Apesar do entrosamento impecável, os cantores poderiam ter alinhado os figurinos para dar charme adicional ao espetáculo.

No todo, o show 'Bicudos dois' confirmou Alfredo Del-Penho e Pedro Paulo Malta como uma dupla do balacobaco, ou mais precisamente, do telecoteco – a levada malemolente do tamborim que define o balanço e molejo do samba, agora presente nas vozes desses dois bicudos que homenageiam o passado enquanto criam algo singular no presente.

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