O ano de 2026 começa com um presente para os amantes da boa música. Foi lançado o projeto MPB Ano Zero, um álbum duplo que reúne 31 artistas em 22 gravações inéditas. A iniciativa, independente e com apoio da Biscoito Fino e da prefeitura do Rio de Janeiro via Lei Aldir Blanc, surge como um documento vital e uma resposta contundente sobre o presente e o futuro da Música Popular Brasileira.
Um projeto que nasce da convicção e da diversidade
Idealizado pelo jornalista e escritor Hugo Sukman, pelo cantor Augusto Martins e pelo produtor Marcelo Cabanas, o MPB Ano Zero tem como premissa central mostrar a força e a pluralidade da cena atual. O projeto foi concebido para retratar o universo da MPB através de vozes que, embora ainda pouco conhecidas do grande público, carregam um talento que revela a rica diversidade da produção musical do país.
Em sua coluna publicada em 03 de janeiro de 2026, o jornalista Aquiles Rique Reis, que foi convidado a apadrinhar o projeto pelos idealizadores, destacou a magnitude da ideia. "A força da chamada MPB está ali retratada dentro de seu universo plural", escreveu, honrado pelo reconhecimento de ser considerado um símbolo da história da sigla.
Detalhes e destaques das gravações
Tudo começa com a faixa "Bendegó", de Claudia Castelo Branco e Renato Frazão, interpretada pelo lendário MPB4. A escolha não é por acaso: a música sintetiza a origem e o espírito do projeto. A base da gravação contou com o arranjo de Paulo Pauleira ao piano, o baixo de João Faria e a bateria de Marcos Feijão, criando um ambiente propício para que o quarteto vocal imprimisse sua marca registrada.
O projeto, no entanto, vai muito além do álbum. Sua força se amplifica com a disponibilização de todos os videoclipes e de 21 minidocumentários que contam a trajetória dos participantes, disponíveis no canal da Biscoito Fino no YouTube. Essa camada extra de conteúdo permite ao público conhecer as histórias e os rostos por trás das vozes e dos instrumentos.
Entre os destaques das regravações, que revisitam clássicos com novas roupagens, estão:
- "Se Eu Quiser Falar Com Deus" (Gilberto Gil), por Ilessi.
- "Canoa Canoa" (Nelson Ângelo e Fernando Brant), por Fred Demarca e Juliana Linhares.
- "Máfia da Miçanga" (Almir Guineto e Luverci), por Caxtrinho.
- "Pecado Capital" (Paulinho da Viola), por Marcelo Menezes.
- "Nasci Pra Sonhar e Cantar" (Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho), por Vidal Assis.
Um manifesto artístico e uma resposta necessária
O MPB Ano Zero se configura como mais do que um simples álbum coletivo; é um manifesto artístico e um trabalho de referência. Ele responde de forma prática e emocionante à pergunta que muitas vezes surge em meio à desesperança: "Será que não existe ninguém novo na música brasileira de hoje em dia?".
A resposta, conforme defende o projeto, é um sonoro e "trinta e uma vezes não!". Os 31 participantes são apresentados como a cara e a coragem de um Brasil que persiste, que canta e que resiste. Ouvir as 22 gravações é, na visão dos idealizadores e do colunista Aquiles, comungar com uma convicção que precisa se expandir.
Quem quiser entender melhor a música que mais representa o povo brasileiro tem agora um documento essencial. Nele, pulsam canções interpretadas por vozes talentosas e ainda em ascensão, acompanhadas por instrumentistas de primeira linha que merecem a atenção de todo fã da MPB. A hora de descobrir e apoiar essa nova safra é agora. A hora é essa, gente boa!