Lorde revela vulnerabilidade em nova fase e fala sobre conexão especial com o Brasil
Lorde fala sobre nova fase vulnerável e shows especiais no Brasil

Lorde abre o coração sobre álbum revelador e conexão profunda com o público brasileiro

A artista neozelandesa Lorde, uma das compositoras mais influentes da última década, está em uma fase marcada por vulnerabilidade e autenticidade. Com 29 anos, ela retorna ao Brasil para o Lollapalooza como parte da turnê do disco "Virgin", seu trabalho mais íntimo e revelador até o momento. Em entrevista exclusiva, Lorde compartilhou detalhes profundos sobre essa nova etapa e sua relação especial com o país.

Uma trajetória de transformação através das turnês brasileiras

Lorde já visitou o Brasil em todas as suas fases artísticas significativas. Em 2014, apresentou-se durante a era adolescente de "Pure Heroine"; em 2016, trouxe a dramaticidade visceral de "Melodrama"; e em 2022, marcou presença no psicodélico "Solar Power" durante o icônico Primavera Sound em São Paulo. Agora, ela retorna com "Virgin", que representa sua fase mais vulnerável.

"Sempre acontece algo especial quando a gente toca no Brasil. Os shows no Brasil são os que mais esperamos durante toda uma turnê", revelou a cantora, destacando a conexão única que sente com o público brasileiro.

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"Virgin": um disco que explora corpo, sexualidade e identidade

O álbum "Virgin" apresenta uma abordagem corajosa sobre temas íntimos. A capa mostra um ultrassom da pelve de Lorde com um DIU visível, enquanto o encarte inclui uma foto de sua área genital. Porém, conforme a artista explica, essas imagens não representam necessariamente as partes mais reveladoras do trabalho.

Ao longo das faixas, Lorde aborda questões de gênero com versos como "alguns dias, sou uma mulher; alguns dias, sou um homem", explora a ansiedade em torno de testes de gravidez na música "Clearblue", e discute transtornos alimentares em passagens como "preparo uma comida que não vou comer".

"Eu sentia apenas repulsa e dor com relação ao meu corpo e como ele se apresentava. Escrever sobre isso foi muito desconfortável. Partes de mim gritavam: 'Não se exponha assim'. Era assustador, era muito íntimo", confessou a artista sobre o processo criativo.

Diálogo sobre feminilidade e pureza em tempos de tendências online

Questionada sobre como seu trabalho dialoga com tendências online como a estética "clean girl", Lorde refletiu: "Eu acho que meu trabalho é uma conversa entre mim e o meu mundo. É o que eu vejo ou quero ver". Ela explicou que, ao criar "Virgin", sentiu a necessidade de explorar uma feminilidade mais crua e selvagem, quase primordial, que contrasta com certas idealizações digitais.

Sobre o título provocativo do álbum, a cantora esclareceu: "Bom, eu estava pensando muito sobre pureza. E como você percebeu muito bem, não era necessariamente pureza sexual o que eu queria dizer. Era mais sobre o fato de que, ao me expressar com o máximo de verdade, eu estava arrancando camadas que tinham se formado sobre mim".

Colaborações e memórias especiais do Brasil

Lorde também falou sobre sua participação no fenômeno "Brat" de Charli XCX, destacando: "Acho que isso fala muito sobre a Charli e a visão dela. Ela tem uma compreensão muito instintiva da cultura". A artista expressou gratidão pela experiência colaborativa, que resultou em uma bela amizade e ampliou suas perspectivas sobre as possibilidades da música pop.

Quando lembrada sobre o Primavera Sound 2022 em São Paulo - considerado por muitos fãs brasileiros como um festival praticamente perfeito - Lorde respondeu com entusiasmo: "Ah, eu amo isso! Lembro que foi um festival icônico". Ela compartilhou memórias vívidas da experiência, incluindo jantares com outras artistas e a sensação especial que antecipava antes da apresentação.

"Lembro que senti algo muito forte. Sabia que algo especial ia acontecer — e sempre acontece quando a gente toca no Brasil", recordou. "Lembro de dizer para a banda, que em grande parte nunca tinha tocado no Brasil: 'Esse vai ser provavelmente um dos shows mais especiais da sua vida. Tentem estar presentes'".

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Conexão além das barreiras de linguagem

A artista descreveu sua relação com o público brasileiro como uma conexão direta e profunda: "Eu me sinto muito compreendida no Brasil. Sempre senti que não existe uma barreira de linguagem — é uma conexão direta, uma sensação compartilhada". Lorde até brincou sobre desejar que os shows durassem muito mais tempo, imaginando continuar a experiência em bares ou restaurantes após as apresentações.

Esses momentos, segundo ela, permanecem marcados em sua memória como experiências verdadeiramente especiais que transcendem o palco e criam laços genuínos entre artista e público.