Katseye no Lollapalooza Brasil 2026: Show eficiente mas robótico divide opiniões
Katseye no Lolla 2026: Show eficiente mas robótico divide

Katseye no Lollapalooza Brasil 2026: Precisão coreográfica versus falta de alma

Após sua passagem pelo Lollapalooza Chile, o grupo Katseye chegou ao Brasil com as cinco integrantes remanescentes para uma apresentação de 60 minutos no domingo (22), no Autódromo de Interlagos. O quinteto, formado através do reality show "Dream Academy" entre 2023 e 2024, trouxe um repertório adaptado para performances em grupo reduzido, mantendo a estética característica da indústria pop coreana que o originou.

Um produto de exportação bem amarrado

Com integrantes dos Estados Unidos, Coreia do Sul, Suíça e Filipinas, o Katseye se define como um "grupo internacional", mas carrega consigo todo o investimento e a metodologia da indústria musical coreana. Um negócio cuidadosamente planejado que, pelos números, parece ter dado certo: o grupo ostenta estatísticas no streaming que rivalizam com artistas consagrados como Lorde e Tyler, The Creator, que também se apresentaram no mesmo dia do festival.

Prova desse sucesso foi a decisão de milhares de pessoas que, mesmo com o rapper Tyler, The Creator se apresentando no mesmo horário como headliner inédito no Brasil, optaram por acompanhar o pop coreografado e chiclete do Katseye. O público era majoritariamente composto por crianças e adolescentes, muitos aparentando não passar dos 10 anos de idade, acompanhados por seus responsáveis.

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Repertório enxuto para faixa etária específica

Sem um álbum de estúdio oficialmente lançado – apenas EPs e singles soltos – o grupo apresentou um repertório enxuto com letras especialmente desenvolvidas para conectar-se com essa faixa etária mais jovem. Como em "Monster High Fright Song", uma das músicas tocadas na noite, cujo refrão diz: "O ensino médio me dá calafrios. Mas quando estou com a minha galera você não pode nos ignorar".

No palco, Daniela Avanzini, Lara Raj, Megan Skiendiel, Sophia Laforteza e Yoonchae Jeung tentaram fazer jus aos números impressionantes do streaming, às indicações ao Grammy 2026 (nas categorias Melhor Artista Revelação e Melhor Performance Pop em Duo ou Grupo) e aos fãs presentes. No entanto, segundo a crítica, não conseguiram completamente.

Coreografias milimétricas e falta de improviso

Não foi por falta de esforço. As integrantes demonstraram entusiasmo genuíno, com uma delas declarando: "A gente esperou muito tempo para vir ao Brasil". Em músicas como "Internet Girl", elas desfilaram em formação precisa, executaram movimentos coreografados até o chão e até simularam digitar em um laptop imaginário nas costas umas das outras.

Mas justamente aí reside o ponto crítico: tudo na apresentação foi considerado coreografado demais, robótico demais. Nada saiu do roteiro preestabelecido, nem mesmo quando as artistas se apresentaram individualmente após "I'm Pretty" e tentaram pronunciar algumas palavras em português, limitando-se a um simples "e aí, gatinhas".

Momentos altos e sensação final

Os pontos altos do show ocorreram quando os hits "Gabriela" e "Gnarly" tocaram, gerando intensa participação do público com batidas de leque e danças sensuais inspiradas no TikTok. O que se viu no palco pode ter impressionado os fãs mais jovens e animados, mas faltou a pulsação, o improviso e a alma que se espera de um headliner de festival.

O que ficou da apresentação do Katseye no Lollapalooza Brasil 2026 foi a sensação de um espetáculo eficiente, bem executado tecnicamente, mas excessivamente arrumadinho. Um produto amarrado num lacinho, fofo e cativante para o público-alvo, mas claramente desenvolvido de caso pensado para exportação global. Como observado na crítica, não havia como ser diferente dada sua origem e metodologia de formação.

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