Chappell Roan encanta público no Lollapalooza 2026, deixando polêmica de lado
No sábado, 21 de março de 2026, o Autódromo de Interlagos, em São Paulo, fervilhava com expectativa antes da apresentação da americana Chappell Roan no Lollapalooza. O burburinho, porém, não era apenas pelo show iminente, mas resultado de uma polêmica inusitada: o volante do Flamengo, Jorginho Frello, acusou a equipe da popstar de destratar sua esposa e enteada durante o café da manhã no Hotel Tangará, gerando revolta entre torcedores e na internet. Dentro do festival, no entanto, o assunto foi tratado como piada, sem abalar o clamor do público pela headliner.
Show coeso e fantasioso conquista plateia
Sem mencionar as alegações do atleta, Chappell Roan, de 28 anos, realizou um espetáculo planejado e foi ovacionada múltiplas vezes. Baseando-se no pop chiclete de seu álbum de estreia, The Rise and Fall of a Midwest Princess (2023), ela construiu uma apresentação fantasiosa e coesa, misturando animações 2D com um palácio robusto no palco, várias trocas de figurino e arranjos repaginados para o rock. A inspiração foi tanta que a artista incluiu um cover de Barracuda, faixa lançada pela dupla Heart em 1977.
O efeito foi imediato: ao narrar as primeiras palavras de Super Graphic Ultra Modern Girl, o público se mostrou fisgado. Dali em diante, Chappell esbanjou presença de palco, comprovando ser uma raridade em sua geração. Seus hits são compostos com o ao vivo em mente, como evidenciado em Femininomenom, que enfatiza a interação com a plateia, e na dança viral de Hot to Go, que fez os espectadores abandonarem os celulares para acompanhar a coreografia contagiante.
Representatividade e emoção marcam apresentação
A representatividade também teve seu peso: durante baladas sobre o amor entre mulheres, como The Subway e Casual, muitas jovens ouvintes se emocionaram, emulando o vozeirão da artista. Até o momento, esta foi a melhor apresentação de um headliner nesta edição do festival.
Outros destaques do segundo dia
No meio da tarde, a galesa Marina animou o público aguardando Chappell. Com um show protocolar e polido, ela se distanciou da musa pop de Electra Heart (2012), focando em seu álbum mais recente, Princess of Power, o que pode ter afastado parte do público, mas demonstrou uma personagem mais empoderada.
Pouco depois, o escocês Lewis Capaldi preencheu o intervalo entre divas pop com seu charme, embora o coro do público só tenha se intensificado com hits como Before You Go e Someone You Loved.
Simultaneamente, a banda de Los Angeles TV Girl trouxe ao palco Flying Fish o conforto do bedroom pop e da sonoridade chill, contrastando com os shows explosivos do dia. Mantendo sua essência, o grupo usou instrumentais orgânicos, trilhas de televisão e samples dos anos 1960 e 1970, com destaque para o vocalista Brad Petering, que sapateou e comeu uma banana entre canções, além de impressionar com uma versão modernizada de Femme Fatale, clássico do The Velvet Underground. A banda atendeu ao desejo do público, apresentando sucessos como Lovers Rock, Not Allowed e Cigarettes out the Window.
O Lollapalooza 2026 continua no domingo, 22 de março, com shows de Lorde, Tyler, The Creator e Addison Rae.



