Alceu Valença brilha aos 80 anos em show '80 Girassóis' que percorre o Brasil após estreia no Rio
Alceu Valença brilha aos 80 anos em show '80 Girassóis' pelo Brasil

Alceu Valença celebra 80 anos com show '80 Girassóis' em turnê nacional

O renomado cantor pernambucano Alceu Valença deu início à sua nova turnê, intitulada "80 Girassóis", com uma apresentação memorável na Farmasi Arena, localizada no Rio de Janeiro, no sábado, 14 de março de 2026. O espetáculo marcou a estreia nacional da turnê, que agora segue percorrendo diversas cidades brasileiras, levando ao público uma revisão cristalina da extensa obra do artista, que completará 80 anos em 1º de julho.

Uma viagem musical através do tempo

Durante duas horas de apresentação, Alceu Valença conduziu o público por uma jornada emocionante através de sua carreira, desafiando a passagem do tempo com a mesma energia jovial que o caracteriza. A voz única do cantor, com seu timbre agudo e vibrante, pulsou intensamente, envolvendo a plateia em uma experiência sonora rica e diversificada. Apesar de alguns momentos em que falas do artista embolaram levemente o fluxo, especialmente durante os comentários sobre "Táxi lunar", o resultado final foi amplamente positivo, com a catarse habitual dos shows de Alceu sendo sentida, ainda que de forma mais contida nesta estreia.

O cenário, criado por Zé Carratu, apresentava um girassol gigante que emoldurava o palco, servindo como pano de fundo para projeções visuais de beleza funcional. Alceu Valença, usando figurinos exclusivos desenhados pela estilista Isabela Capeto, abriu o show com "Agalopado" (1977), estabelecendo desde o início a conexão profunda com suas raízes nordestinas.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Raízes nordestinas e homenagens emocionantes

A influência seminal de Luiz Gonzaga, o rei da música nordestina, foi claramente refletida no repertório. Alceu interpretou "Pagode russo" (1947) com o vigor característico dos forrós, animando a plateia, e deu um toque melancólico de fado a "Sabiá" (1951), acompanhado pela guitarra penetrante de Zi Ferreira. A cidade natal do artista, São Bento do Una (PE), serviu como ponto de partida espiritual, com ritmos como caboclinhos, maracatus, baiões, xotes, martelos agalopados e aboios formando a matriz sonora que sustenta sua obra.

Destaques emocionantes incluíram "Flor de tangerina" (2002), cantada com os olhos marejados, e uma homenagem tocante ao guitarrista Paulo Rafael (1955-2021), durante a execução instrumental de "Elefante de Olinda" (1952). A projeção da foto de Paulo Rafael no telão reforçou a importância dessa figura na trajetória de Alceu Valença.

Repertório diversificado e encerramento triunfal

O show seguiu com um balanço contagiante, apresentando sucessos como "Cavalo de pau" (1982), "Estação da luz" (1985) e "Girassol" (1987), que desabrochou como a flor do desejo. Momentos carnavalescos foram vividos com "Olinda" (1985) e "Bicho maluco beleza" (1992), transportando o público para a folia de Pernambuco. Após a apresentação da banda, que incluiu o sanfoneiro André Julião e o violoncelista Lui Coimbra, Alceu mergulhou em "Embolada do tempo" (2005) e "Espelho cristalino" (1977), reforçando a temática da turnê.

A costura do roteiro foi impecável, com músicas encadeadas por afinidades temáticas e emocionais. A sequência nostálgica de "Cabelo no pente" (1981), "Pelas ruas que andei" (1982) e "Tesoura do desejo" (1992) preparou o terreno para o grand finale com "Anunciação" (1983) e, no bis, "Tropicana" (1982). O show floresceu sem reinventar completamente a roda de Alceu Valença, mas cumpriu todas as expectativas, demonstrando que sua obra continua a desafiar o tempo com força perene.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Lista completa das músicas apresentadas

  1. "Agalopado" (1977)
  2. "Pagode russo" (1947)
  3. "Como dois animais" (1982)
  4. "Cavalo de pau" (1982)
  5. "Estação da luz" (1985)
  6. "Girassol" (1987)
  7. "Flor de tangerina" (2002)
  8. "Sabiá" (1951)
  9. "Ciranda da rosa vermelha" (1997)
  10. "Luar de prata" / "Ciranda da aliança" (2003)
  11. "Elefante de Olinda" (1952) – tributo a Paulo Rafael
  12. "Olinda" (1985)
  13. "Bicho maluco beleza" (1992)
  14. Apresentação da banda com pífanos
  15. "Embolada do tempo" (2005)
  16. "Espelho cristalino" (1977)
  17. "Coração bobo" (1980)
  18. "Cabelo no pente" (1981)
  19. "Pelas ruas que andei" (1982)
  20. "Tesoura do desejo" (1992)
  21. "Solidão" (1994)
  22. "Táxi lunar" (1979)
  23. "La belle de jour" (1992)
  24. "Anunciação" (1983)
  25. Bis: "Tropicana" (1982)