O líder da equipe de resgate que localizou os corpos de cinco turistas italianos em uma caverna submersa nas Maldivas concedeu entrevista exclusiva ao Fantástico. O acidente, ocorrido na semana passada, chocou o mundo e é considerado a maior tragédia do tipo no país.
Detalhes do acidente
Os italianos realizavam um passeio de mergulho a partir de um iate de luxo quando desapareceram. As vítimas foram identificadas como Mônica, professora de ecologia; sua filha Giorgia; a pesquisadora Muriel; o biólogo marinho Frederico; e o instrutor de mergulho Gianluca. O grupo deveria retornar ao meio-dia, mas nunca mais foi visto.
A caverna onde ocorreu o incidente está localizada no atol de Vaavu, com entrada a aproximadamente 50 metros de profundidade. Especialistas explicam que cavernas submersas funcionam como labirintos, com túneis e ramificações que podem causar desorientação.
Operação de resgate
O finlandês Sami Paakkarinen, mergulhador especializado em resgates, liderou a operação que recuperou os corpos. Segundo ele, o ambiente exige treinamento específico e uso de misturas especiais de gases. “Profundidades entre 60 e 70 metros geralmente exigem equipamentos especializados, gases especiais e treinamento especializado”, afirmou.
Durante as buscas, o sargento mergulhador das Maldivas, Mohamed, morreu ao tentar ajudar. Sua causa de morte foi doença descompressiva, causada por bolhas de gás no sangue. Ele não recebeu tratamento em câmara hiperbárica a tempo.
Riscos do mergulho em cavernas
O instrutor brasileiro Eduardo Macedo, com 30 anos de experiência, explicou que o mergulho em cavernas é um dos mais técnicos e perigosos do mundo. “O mergulho em caverna é mais técnico, mais difícil, mais complexo e mais perigoso”, disse. O treinamento costuma durar cerca de um ano e exige equipamentos como lanternas extras, cilindros adicionais e sistemas de reciclagem de ar, como o rebreather.
Uma das hipóteses para o acidente é a baixa visibilidade causada pela areia do fundo, que pode transformar o ambiente em “breu total”. Os corpos foram encontrados em uma ramificação sem saída, a cerca de 60 metros de profundidade.
Diferença entre mergulho recreativo e técnico
Especialistas destacam que o mergulho recreativo tem limite de até 40 metros e equipamentos simples, enquanto o técnico ocorre em maiores profundidades e ambientes fechados. Ainda não foram divulgadas informações sobre os equipamentos usados pelos italianos nem se todos tinham habilitação específica. Sami Paakkarinen afirmou que os equipamentos não eram adequados.
Apesar da tragédia, especialistas afirmam que o mergulho é seguro quando os protocolos são seguidos. “Eu mergulho há 30 anos e nunca tive um acidente. A diferença é equipamento e treinamento adequado”, disse Eduardo Girardi.



