Sambódromo de Bauru, um dos primeiros do Brasil, completa 35 anos interditado por erosão
Sambódromo de Bauru, um dos primeiros do Brasil, interditado há anos

Sambódromo de Bauru: 35 anos de história e quatro anos de interdição por erosão

Há exatos 35 anos, a cidade de Bauru, no interior paulista, escrevia seu nome na história do carnaval brasileiro com a inauguração de um dos primeiros sambódromos do país. O Sambódromo Guilberto Duarte Carrijo foi aberto ao público em 8 de fevereiro de 1991, apenas sete dias após a abertura do Sambódromo do Anhembi, na capital paulista.

Pioneirismo no interior paulista

Na prática, porém, o espaço bauruense foi o primeiro do estado de São Paulo a receber desfiles oficiais de escolas de samba, já que a estrutura da capital só passou a ser utilizada oficialmente no ano seguinte. Até então, o Brasil contava apenas com a Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, como passarela fixa para o espetáculo das agremiações carnavalescas.

Com o crescimento exponencial do público e das escolas de samba locais, surgiu a necessidade urgente de um espaço fixo e adequadamente estruturado para o evento. O sambódromo, que teve um custo equivalente a aproximadamente R$ 50 milhões em valores atuais, foi inaugurado com passarela, camarotes e arquibancadas permanentes, representando um marco na infraestrutura cultural da região.

Referência cultural e transmissão nacional

Dois dias após sua inauguração, em 10 de fevereiro de 1991, o local já recebeu seu primeiro desfile oficial, marcando o início de uma era de ouro para o carnaval bauruense. O espaço rapidamente se tornou uma referência fora dos grandes centros urbanos, atraindo moradores de Bauru e de diversas cidades da região, fortalecendo significativamente o carnaval local.

O sucesso foi tão expressivo que, em 1997, o desfile das escolas de samba de Bauru foi transmitido ao vivo pela Rede Globo Oeste Paulista, atual TV TEM, para todas as cidades da área de cobertura da emissora, consolidando o evento como um dos mais importantes do interior brasileiro.

Homenagem a um ícone do samba

O sambódromo recebeu o nome de Guilberto Duarte Carrijo, em justa homenagem a um dos principais responsáveis pelo fortalecimento e organização do samba em Bauru. Guilberto esteve intimamente ligado à criação de escolas de samba e à estruturação do carnaval local desde as décadas de 1950 e 1960, tornando-se uma verdadeira referência cultural no município.

Infelizmente, ele faleceu em 1990, pouco antes da inauguração do espaço que eternizaria seu legado. Seu filho, José Ricardo Carrijo, atual diretor da Mocidade Unida da Vila Falcão e integrante do carnaval bauruense há mais de cinco décadas, compartilha a emoção de desfilar no local que homenageia seu pai.

Transformações e adaptações do carnaval

Com o crescimento urbano e as mudanças nos hábitos de lazer, o carnaval de Bauru também se transformou ao longo dos anos. Além dos tradicionais desfiles das escolas de samba, surgiram os blocos de rua e festas privadas, seguindo a tendência nacional. No entanto, conforme destaca José Ricardo Carrijo, as escolas de samba continuam sendo o coração cultural da festa, mantendo tradições seculares e disputas baseadas em critérios técnicos específicos.

Interdição por erosão e mudança de local

A história do sambódromo começou a mudar drasticamente em março de 2019, quando uma cratera com aproximadamente seis metros de profundidade e 40 metros de largura se abriu na pista lateral do espaço, levando consigo parte da rede elétrica e da estrutura de um dos camarotes. O problema foi provocado por fortes chuvas que atingiram a região nos últimos anos, resultando em significativa erosão do solo.

Por conta do evidente risco de novos deslizamentos, o espaço foi imediatamente interditado pela Defesa Civil municipal. Após uma reforma parcial, o carnaval de 2020 ainda ocorreu no local, com restrições de segurança, pouco antes do início da pandemia de Covid-19.

Desde então, os desfiles passaram a acontecer na Avenida Jorge Zaiden, que recebe arquibancadas montadas provisoriamente para o evento. Este será o quarto ano consecutivo fora do Sambódromo Guilberto Carrijo, e mesmo com a adaptação bem-sucedida, a comunidade carnavalesca manifesta forte desejo de retorno ao espaço original.

Perspectivas de revitalização

Em nota oficial, a Secretaria Municipal de Infraestrutura de Bauru informou que foi contratado um projeto completo para recuperação e revitalização da área do sambódromo. O trabalho encontra-se na fase final de elaboração, com o projeto executivo já entregue pela empresa responsável.

Atualmente, a secretaria realiza a revisão técnica do material, enquanto a contratada prepara a planilha orçamentária detalhada. Somente após a conclusão dessa etapa, com a definição precisa do valor total das obras, será possível avançar no planejamento da execução prática.

A continuidade do processo, segundo a prefeitura, depende fundamentalmente da disponibilidade de dotação orçamentária, e o tema ainda será discutido com o gabinete da prefeita para definição de prioridades e alocação de recursos.

Enquanto isso, moradores, comerciantes e organizadores do carnaval aguardam com expectativa a possibilidade de retorno às instalações que por quase três décadas foram palco das maiores manifestações culturais da região, reafirmando a importância do Sambódromo Guilberto Duarte Carrijo para a identidade cultural de Bauru e do interior paulista.