Rio Fashion Week estreia com impacto econômico, mas enfrenta críticas por diversidade
Rio Fashion Week: sucesso econômico e críticas à diversidade

Rio Fashion Week estreia com impacto econômico, mas enfrenta críticas por diversidade

Com o objetivo de reposicionar o Rio de Janeiro no cenário global da moda, a primeira edição do Rio Fashion Week ocorreu entre os dias 14 e 18 de abril, concentrando seus desfiles no Píer Mauá e realizando a abertura no Palácio da Cidade, em Botafogo. O evento, que nasceu com ambições elevadas, projetou atrair aproximadamente 30 mil pessoas ao longo dos cinco dias de programação, gerando um impacto direto e significativo na economia local.

Impacto econômico positivo e abertura para novos talentos

Segundo a prefeitura do Rio de Janeiro, a projeção é que o evento movimente cerca de 100 milhões de reais, além de gerar milhares de empregos diretos e indiretos. Essa iniciativa não apenas aquece setores cruciais como turismo, hotelaria e serviços, mas também cria uma vitrine relevante para a indústria da moda brasileira, fortalecendo sua presença no mercado internacional.

Mais do que os números impressionantes, o Rio Fashion Week acertou ao abrir espaço para novos nomes no line-up. Um exemplo notável é a marca Hisha, fundada em 2018 pela mineira Giovanna Resende, que realizou seu primeiro desfile com inspiração no barroco tardio brasileiro e no rococó vivo. A coleção apresentou elementos como arabescos, relevos, construções escultóricas, brilho dourado e drapeados estruturados, demonstrando a criatividade e inovação que o evento busca promover.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Fragilidades e críticas que marcaram a estreia

No entanto, a estreia do evento também expôs fragilidades difíceis de ignorar. Logo no primeiro dia de desfiles no Píer Mauá, na quarta-feira, 15 de abril, atrasos superiores a uma hora comprometeram a experiência de convidados e imprensa, levantando questões sobre a organização e logística do evento.

Na passarela, a ausência de modelos de grande projeção internacional chamou a atenção. Em um momento que pedia impacto e visibilidade global, faltaram nomes de peso capazes de amplificar o alcance do evento e reforçar sua relevância fora do país, o que pode limitar sua projeção no cenário internacional da moda.

Outro ponto sensível foi o padrão de corpo apresentado em alguns desfiles. Marcas como a Salinas apostaram majoritariamente em modelos extremamente magras, reacendendo um debate crucial que a indústria da moda vinha tentando atualizar: a diversidade de corpos nas passarelas. Essa escolha gerou críticas de especialistas e do público, que esperavam uma representação mais inclusiva e contemporânea.

Silêncio simbólico e reflexões sobre o futuro

Houve ainda um silêncio simbólico difícil de não notar: a abertura do evento coincidiu com o aniversário da morte de Zuzu Angel, figura fundamental da moda brasileira, mas a data passou sem qualquer menção ou homenagem, o que foi visto por muitos como uma oportunidade perdida para celebrar a história e legado da moda nacional.

Em resumo, o saldo da estreia do Rio Fashion Week é misto. Por um lado, o evento demonstrou um potencial econômico significativo e uma abertura valiosa para novos talentos, aquecendo setores essenciais e projetando o Rio de Janeiro no mapa da moda. Por outro lado, enfrentou desafios como atrasos, falta de diversidade corporal e oportunidades simbólicas negligenciadas, que devem ser abordadas em futuras edições para consolidar o evento como uma referência global inclusiva e bem-organizada.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar