Perrengues das Musas: Tombos, Fantasias Pesadas e Superação no Carnaval
Perrengues das Musas e Rainhas no Carnaval

O carnaval das escolas de samba é um espetáculo de grandes alegorias, fantasias luxuosas e do glamour inconfundível de musas e rainhas de bateria. Nos últimos anos, porém, imprevistos têm exigido muito mais do que apenas samba no pé dessas famosas, testando seus limites físicos e emocionais na avenida. Mesmo diante de dores, sustos e constrangimentos, elas seguem desfilando para evitar prejuízos às suas escolas, transformando episódios delicados em verdadeiras histórias de superação e resiliência.

Os casos revelam que, por trás do brilho e da festa, o carnaval também é feito de sacrifício, improviso e entrega total. Relembre, abaixo, alguns desses momentos marcantes que mostram a força e a determinação dessas mulheres.

Queda na Sapucaí: Lore Improta escorrega na avenida

Durante o desfile da Viradouro no Grupo Especial, em 2025, Lore Improta sofreu uma queda ao escorregar em restos de fantasia espalhados pela pista da Sapucaí. A musa caiu de lado, mas foi rapidamente auxiliada por integrantes da escola. Apesar de ter sofrido cortes leves nas pernas e nos pés, Lore conseguiu seguir desfilando normalmente.

Nas redes sociais, ela minimizou o episódio, comemorou o desempenho da escola e afirmou que a queda não interferiu na avaliação dos jurados. "Aquele lema que temos para a vida: 'Caiu, levantou e segue o baile amores'", se divertiu. Ela também destacou que foi a primeira vez que caiu na Sapucaí, mostrando que até as mais experientes não estão imunes aos perrengues.

Pintura corporal que não sai: o pós-desfile de Bianca Monteiro

Após o Desfile das Campeãs em 2024, Bianca Monteiro, rainha de bateria da Portela, enfrentou dificuldades para remover a pintura corporal usada na fantasia. O processo levou cerca de uma hora e meia e exigiu óleo, esfoliação e até sabão em pó.

A própria Bianca alertou que o método pode agredir a pele e não deve ser repetido. Mesmo assim, celebrou a renovação no posto de rainha e reforçou sua longa trajetória e vínculo com a comunidade da Portela. "Eu primeiro passei óleo, fui tirando o excesso. Eu não recomendo ninguém a fazer isso, mas acabei passando sabão em pó, mas pode queimar a pele. Não é algo que sai fácil, fiquei fazendo esfoliação. Foi mais ou menos uma hora e meia para remover tudo", disse.

Fantasias pesadas e marcas no corpo: o esforço de Juliana Souza

Rainha de bateria da União da Ilha, Juliana Souza terminou o desfile da Série Ouro com hematomas visíveis nos ombros em 2023. As marcas foram causadas pelo peso do esplendor da fantasia, que chegava a cerca de 10 quilos. Mesmo machucada, ela cumpriu a apresentação até o fim.

Juliana destacou que o posto de rainha exige preparo físico e dedicação intensa. A fantasia, avaliada em R$ 120 mil, fazia parte de uma homenagem à ex-rainha Deise Nunes e evidenciou que o brilho da avenida muitas vezes cobra seu preço no corpo, deixando marcas que vão além do visual.

O tapa-sexo de Kerolay Chaves e o erro que levou ao hospital

Miss Bumbum 2025, Kerolay Chaves revelou que, em um desfile em São Paulo, em 2024, colou o tapa-sexo com supercola por medo de a peça se soltar durante a apresentação. Após o desfile, precisou ir ao hospital para conseguir remover o adereço.

"Era meu primeiro desfile em São Paulo e eu estava muito tensa. O samba é intenso, a fantasia é mínima e eu tinha pavor de o tapa-sexo cair na avenida. Usei Super Bonder mesmo. Foi a forma que encontrei para garantir que não acontecesse nenhum acidente que prejudicasse a escola", disse. O trauma e a inexperiência fizeram com que ela ficasse fora dos desfiles de 2025. Em 2026, Kerolay retorna mais preparada, com aulas de samba e maior consciência para evitar decisões extremas na avenida.

Exposição indesejada e a volta por cima de Francine Carvalho, da X-9

Francine Carvalho, rainha de bateria da X-9 Pioneira, ganhou repercussão nacional em 2023 após o tapa-sexo se deslocar durante um desfile em Santos, expondo sua parte íntima diante do público. Ela afirmou que o problema foi técnico e negou qualquer intenção de exposição.

Dois anos depois, Francine deu a volta por cima ao conquistar o título de campeã como rainha da X-9, mesmo desfilando sob chuva e com uma fantasia de cerca de 30 quilos. O episódio passou a simbolizar superação e resiliência em sua trajetória no carnaval, mostrando que é possível transformar um momento difícil em uma história de triunfo.

Os tombos de Ana Hickmann na Grande Rio

A apresentadora Ana Hickmann levou dois tombos durante o desfile da Grande Rio, que aconteceu sob chuva no sambódromo carioca, em 2011. A primeira queda ocorreu quando ela desfilava de botas de salto alto e escorregou na pista molhada. Após o tombo, Ana retirou as botas e seguiu na apresentação.

Mesmo descalça, ela voltou a escorregar em outro momento do desfile e foi rapidamente socorrida pelo Corpo de Bombeiros. Apesar das dores no joelho e na bacia, a apresentadora deixou a avenida em pé e afirmou que, apesar do susto, valeu a pena ter seguido até o fim do desfile. "O tombo foi feio. O joelho está bastante machucado, a bacia também. Foi mais um susto, mas valeu à pena de ter chegado até o fim", disse a apresentadora logo após o desfile.

Esses relatos mostram que o carnaval vai muito além da festa e da beleza. É um universo de desafios onde musas e rainhas demonstram coragem, profissionalismo e uma capacidade incrível de superação, inspirando fãs e espectadores com suas histórias de resiliência na avenida.