Justiça Federal libera passarela interditada em camarote do Carnaval de Salvador após acordo ambiental
Passarela interditada em camarote do Carnaval de Salvador é liberada pela Justiça

Passarela de camarote no Carnaval de Salvador é liberada após acordo ambiental com a Justiça

A passarela localizada na encosta do Morro do Ipiranga, no circuito Dodô (Barra/Ondina), em Salvador, voltou a ter o uso autorizado pela Justiça Federal durante o Carnaval. A decisão ocorreu nesta terça-feira (10), apenas cinco dias após a interdição do equipamento e a dois dias do início oficial da festa.

Compromisso ambiental garante liberação da estrutura

O Camarote Glamour, responsável pela área, se comprometeu a cumprir uma série de medidas ambientais como condição para a liberação do espaço. Entre as exigências, está a execução de um Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD), que visa promover melhorias ambientais no local, incluindo o plantio de espécies nativas.

Em nota oficial, o Camarote Glamour ressaltou que não houve desmatamento durante a montagem da passarela. A empresa argumentou que a área já estava sem vegetação desde a década de 2000, minimizando o impacto ambiental direto.

Contexto da interdição e polêmica pública

A interdição inicial foi decretada após uma ação civil pública ajuizada pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo da Bahia (CAU-BA). O conselho alegou que a estrutura, de responsabilidade da Salvador Produções Artísticas e Entretenimentos Ltda., estava situada em uma área legalmente protegida, com características de Área de Preservação Permanente (APP).

Segundo o CAU-BA, a intervenção representava um grave risco de dano ambiental, paisagístico e urbanístico. A multa diária estabelecida era de R$ 50 mil em caso de descumprimento das determinações judiciais.

Divergências sobre o impacto social e logístico

Nas redes sociais, a estrutura dividiu opiniões entre os foliões e moradores da região. Algumas críticas apontaram que a passarela reforça estereótipos de desigualdade social, segregando os frequentadores de camarotes do restante do público.

Por outro lado, defensores argumentaram que se trata de uma solução logística essencial. "Não é nem sobre 'misturar' pessoas, é logística mesmo. Imagina o fluxo: bloco passando sem parar, pipoca lotada o tempo todo, e uma multidão precisando atravessar pra chegar aos camarotes… vira caos, risco e estresse desnecessário", comentou um cidadão.

O Camarote Glamour também emitiu um posicionamento destacando que a passarela é uma estrutura temporária que contribui para a organização do fluxo, redução de aglomerações e melhoria da mobilidade durante o evento.

Posicionamento das partes envolvidas

A Prefeitura de Salvador reforçou que a passarela é apenas uma estrutura temporária, realizada com base em um procedimento administrativo regular. A gestão municipal afirmou ainda que a área não se enquadra integralmente como APP, conforme análise prévia realizada.

Já a Salvador Produções, em nota enviada anteriormente, afirmou que não possuía qualquer pendência relacionada à estrutura e que todas as etapas do projeto estavam em conformidade com as exigências legais, técnicas e administrativas.

A decisão final da Justiça Federal equilibrou as preocupações ambientais com as necessidades operacionais do Carnaval, permitindo o funcionamento da passarela sob condições específicas de mitigação de impactos.