MP de SP investiga superlotação em megablocos do pré-Carnaval na Consolação
MP investiga superlotação em megablocos do pré-Carnaval em SP

MP de São Paulo instaura procedimento para apurar superlotação em megablocos do pré-Carnaval

O Ministério Público de São Paulo iniciou nesta segunda-feira, 9 de fevereiro, um procedimento para investigar a superlotação ocorrida na rua da Consolação, localizada na região central da capital paulista. O fato aconteceu durante as passagens de dois megablocos no pré-Carnaval da cidade, gerando imagens e relatos preocupantes de foliões prensados em grades e passando mal no domingo, 8 de fevereiro.

Contexto dos eventos e críticas prévias

A rua da Consolação, tradicionalmente conhecida pelo desfile do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta no domingo que antecede o Carnaval, recebeu também neste ano o Bloco Skol. Os trios elétricos patrocinados pela cervejaria atraíram milhares de jovens, especialmente ao anunciarem atrações internacionais como o DJ escocês Calvin Harris e outros artistas com milhões de seguidores nas redes sociais.

A decisão de autorizar dois megablocos simultâneos na mesma via havia sido alvo de críticas desde o fim de janeiro, quando foi anunciada. Moradores da vizinhança e foliões expressaram apreensão quanto à quantidade de público esperada, temendo incidentes de segurança.

Relatos de tumultos e respostas das autoridades

Os receios se concretizaram quando tumultos derrubaram grades de isolamento e prensaram participantes da festa. Antes do evento, a Folha de S. Paulo questionou o prefeito Ricardo Nunes sobre os riscos, ao que ele respondeu que havia estrutura suficiente para garantir a ordem, incluindo segurança e atendimento médico.

A patrocinadora Ambev afirmou seguir as regras dos órgãos competentes. No entanto, representantes de moradores e comerciantes alertaram que horários muito próximos de concentração e o compartilhamento do trajeto poderiam criar dificuldades, uma previsão que se mostrou acertada.

Condições da via e ações durante o evento

Com menos de 40 metros de largura entre as calçadas e cercada por prédios e muros, a rua da Consolação oferece poucas opções de escoamento do público. Trechos como a praça Roosevelt foram fechados com tapumes, agravando a situação.

Durante o tumulto, próximo à concentração do bloco de Calvin Harris, testemunhas relataram pessoas passando mal e gritando por ajuda dos bombeiros. Alguns foliões escalaram grades de imóveis vizinhos para escapar do empurra-empurra, chegando a invadir a área externa da Escola Paulista de Magistratura.

Depoimento de participante e declarações pós-evento

O estudante de administração Bernardo Andrade, de 23 anos, descreveu a experiência como aterrorizante. "Não estava nem em pé, mas estava sendo carregado", contou ele, que foi ao local para ver Calvin Harris e o cantor Natanzinho Lima. Ele destacou a dificuldade de ouvir o som de longe, o que levou muitos a se aproximarem demais dos trios.

No domingo, a prefeitura acionou um plano de contingência para barrar a entrada de mais foliões. Já na segunda-feira, o prefeito Ricardo Nunes declarou à GloboNews que o primeiro final de semana de pré-Carnaval foi um sucesso, considerando a quantidade de pessoas e as poucas ocorrências registradas.

A investigação do Ministério Público visa agora apurar responsabilidades e evitar que situações semelhantes se repitam em futuros eventos na cidade.