O papel da rainha de bateria nas escolas de samba: o que os mestres realmente pensam
O posto de rainha de bateria, cobiçado tanto por mulheres da comunidade quanto por celebridades que almejam o local de maior prestígio em uma escola de samba, frequentemente se torna um ponto crucial para os setores que controlam o andamento do desfile. Dependendo do ritmo da escola, o acesso de fotógrafos e fãs pode comprometer seriamente a evolução da agremiação durante a apresentação.
Opiniões divergentes sobre as responsabilidades das rainhas
Mestre Lolo, da Imperatriz Leopoldinense, afirma que o maior erro que uma rainha pode cometer é sambar de forma incorreta. "O resto ela sabe como fazer. Nós ensaiamos bastante com a bateria e ela está contribuindo significativamente", destaca o experiente mestre, referindo-se à rainha Iza. Por outro lado, Ciça, que também é enredo da Unidos do Viradouro, acrescenta uma perspectiva mais prática: "Não pode atrapalhar a bateria e nem a mim. A Juliana Paes está preparada, vamos nos divertir muito. Estamos bem ensaiados".
Vitinho, da Portela, apresenta uma visão mais liberal sobre o assunto. "A rainha de bateria pode fazer tudo. Ela é nossa majestade. É quem apresenta e protege os guerreiros dela, os ritmistas. Só tenho a agradecer à Bianca Monteiro, que é da comunidade, mas faz de tudo para não faltar nada", elogia com entusiasmo.
A importância do samba no pé e da preparação
Marcão, do Paraíso do Tuiuti, reforça que o samba no pé é um elemento fundamental para qualquer rainha. "Sambar fora do compasso da bateria é prejudicial, isso é fato. Acho, particularmente, que as rainhas de bateria deveriam ser julgadas, para que o cargo comece a ser mais valorizado. Parar de ser quem tem mais visibilidade e dinheiro, para quem tem mais talento", propõe o mestre, sugerindo uma mudança nos critérios de seleção.
Para alcançar essa excelência, a presença nos ensaios é considerada essencial por todos os entrevistados ouvidos pela coluna GENTE. Gustavo Oliveira destaca o entrosamento exemplar entre os ritmistas do Acadêmicos do Salgueiro e sua rainha Viviane Araújo, que ocupa o cargo há impressionantes 18 anos. "Não é o que ela tem ou deixa de fazer, nós já deixamos organizado, junto com o nosso diretor de harmonia, o espaço", explica.
Desafios logísticos e a relação com a comunidade
Taranta Neto, da Estação Primeira de Mangueira, é outro que enaltece sua rainha, Evelyn Bastos. "Ela é 'cria' e a gente cresceu junto dentro da bateria, ela entende o que a gente precisa, consegue limitar as pessoas em volta dela, entramos num consenso e conseguimos colocar uma ordem para a galera ficar mais espalhada. A maior dificuldade do mestre de bateria é a visualização, aquela quantidade de pessoas em volta atrapalha muito na hora de se concentrar no módulo de julgador", revela sobre os desafios práticos durante os desfiles.
Dudu, mestre da Mocidade Independente, finaliza a discussão com uma perspectiva libertadora para quem está começando nessa função. "A rainha pode fazer o que ela quiser, está no nome: rainha. Ela tem que ser feliz, estar no meio de ritmistas, participar de todos os eventos com a gente. Pode ter samba no pé, não ter, isso não importa, não é quesito. Rainha é fechamento. Não tem nada proibido", conclui, oferecendo uma visão mais inclusiva e celebratória do papel.
