Livro 'Cantos de Ancestralidade' reúne mais de 200 canções do Ilê Aiyê em Salvador
Livro com 200 canções do Ilê Aiyê é lançado em Salvador

Lançamento histórico celebra trajetória musical do Ilê Aiyê em Salvador

Nesta terça-feira, Salvador será palco de um marco cultural significativo com o lançamento do livro "Cantos de Ancestralidade – Antologia Musical do Ilê Aiyê". A publicação, que reúne mais de 200 canções que marcaram a trajetória do primeiro bloco afro do Brasil ao longo de mais de cinco décadas, será apresentada ao público a partir das 14h, na Senzala do Barro Preto, no bairro do Curuzu.

Evento gratuito com programação especial

O lançamento acontece durante a cerimônia de encerramento do projeto Música e Educação, com entrada franca para todos os interessados. A programação inclui apresentação musical de Val Benvindo e falas de personalidades importantes como Antônio Carlos Vovô, presidente do Ilê Aiyê, Danillo Barata, pró-reitor de Extensão e Cultura da UFRB, e Valéria Lima, diretora-executiva do Instituto da Mulher Negra Mãe Hilda Jitolu e organizadora da obra.

Também estarão presentes Catarina Lima, responsável pela pesquisa das músicas, e as autoras Arany Santana e Lindinalva Barbosa. Um dos momentos mais aguardados será a participação de compositores que fizeram parte da história do Ilê Aiyê, que poderão compartilhar memórias, contar histórias sobre as canções e entoar trechos de músicas que marcaram época.

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Patrimônio cultural e educacional

Publicado pelo Instituto da Mulher Negra Mãe Hilda Jitolu, o livro registra a produção musical do Ilê Aiyê, destacando a música como memória, resistência e expressão da identidade negra. Organizado por Valéria Lima com pesquisa de Catarina Lima, a obra reúne composições de diferentes autores e autoras, preservando um patrimônio cultural transmitido por meio da música, da palavra e da ancestralidade.

Segundo Valéria Lima, o livro pode servir como material de apoio para educadores de todo o país: "As letras de música do Ilê contam a história do povo negro do Brasil e da África. É uma ferramenta de estudo e uma homenagem aos compositores que cantam essa história há mais de 50 anos".

Importância educativa e legal

Além do registro histórico, a publicação contribui para a aplicação da Lei 10.639/2003, que trata do ensino da história e cultura afro-brasileira e africana nas escolas. Para Antônio Carlos Vovô, presidente do Ilê Aiyê, as músicas do bloco cumprem um papel educativo fundamental: "É por meio da música e da poesia que trabalhamos o resgate da autoestima do povo negro, especialmente da mulher negra".

O livro integra o projeto Música e Educação, desenvolvido pelo Ilê Aiyê, pelo Instituto da Mulher Negra Mãe Hilda Jitolu, pelo Olodum e pela Casa da Ponte – Orquestra Afrosinfônica, em parceria com a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e com apoio do Ministério da Educação. Esta iniciativa marcou a retomada das atividades da Escola Mãe Hilda, que estavam suspensas desde a pandemia da Covid-19.

Encerramento musical

A programação do evento será finalizada com show da Band'Erê, banda mirim do bloco, garantindo uma celebração completa da rica tradição musical do Ilê Aiyê. A obra reforça a valorização da cultura negra e do legado coletivo do grupo, que há mais de cinco décadas mantém viva a chama da resistência cultural através da música.

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