Os segredos vocais dos intérpretes do Carnaval: como proteger o "gogó" na maratona da Sapucaí
No coração do Carnaval carioca, os intérpretes das escolas de samba enfrentam uma das missões mais desafiadoras: manter a voz potente e afinada por mais de uma hora de desfile, levantando a multidão na Sapucaí. Responsáveis por dar vida ao samba-enredo, esses cantores revelam uma série de cuidados especiais para preservar suas cordas vocais, combinando técnicas modernas e tradições carnavalescas.
Preparação física e emocional: a base do sucesso
Zé Paulo Sierra, intérprete da Portela, destaca a importância do equilíbrio mental. "O tratamento psicológico é fundamental, a responsabilidade aqui é grande. Mas hoje chego feliz, de verdade. Estou fazendo fonoaudióloga, bebendo muita água. E é claro, durmo bem", afirma o cantor, enfatizando que o bem-estar emocional é tão crucial quanto os cuidados físicos.
Igor Sorriso, do Salgueiro, começa sua preparação pelo coração. "Primeiro, a gente prepara o coração, porque poder cantar na nossa escola de coração é sempre emocionante. E aí que vem a preparação vocal. Descansar o corpo, dormir bem, se hidratar bastante e cuidar da voz", explica. Ele revela que faz tratamento fonoaudiológico durante todo o ano especificamente para esse momento.
Técnicas avançadas e rotinas rigorosas
Emerson Dias, da Acadêmicos de Niterói, compara a performance a uma maratona. "A gente que trabalha no Carnaval coloca muita potência e força na voz. Trabalhamos praticamente cantando, como se fosse um maratonista. Eu faço fono o ano inteiro, sem parar, porque é uma manutenção. É preciso também energia para manter a voz sempre lá em cima", detalha o intérprete, destacando a necessidade de preparo contínuo.
Já Dowglas Diniz, da Mangueira, aposta em tecnologia. "A saúde vocal é importante para todos os cantores. Antes de qualquer ensaio ou evento, faço tratamento com laser, para poder tirar alguma inflamação que possa atrapalhar", compartilha, mostrando como métodos modernos são incorporados à rotina tradicional.
Hidratação, descanso e um toque de tradição
Tinga, da Vila Isabel, resume sua fórmula em três pilares: "Aula de canto, tomar bastante água e descansar. A gente se prepara bastante. O descanso é o remédio do cantor". Essa visão é ecoada por Pixulé, do Paraíso do Tuiuti, que brinca com um elemento típico do Carnaval. "A arma do cantor é o sono. É dormir e se alimentar bem. Um exercício vocal talvez, e olha de lá. Bebi muito líquido hoje, dormi bastante e estou aqui. Depois do desfile, a minha cachacinha, que eu não sou de fé (risos)", revela, mostrando que um gole pós-desfile faz parte do ritual.
Espiritualidade e exercícios específicos
Marquinhos Art'Samba, da Unidos da Tijuca, combina práticas vocais com fé. "Eu treino muito a voz, faço hidratação, gargarejo, nebulização e exercício. Além do sono, que é importante. Eu sou muito espiritualizado também, minha mãe está lá em casa rezando para que tudo dê certo", conta, ilustrando como elementos pessoais se entrelaçam com a preparação técnica.
Igor Vianna, da Mocidade, completa o panorama com sua rotina. "Fonoaudióloga, aula de canto e bastante água. O medo de ficar nervoso sempre tem, mas a gente faz os exercícios e dá tudo certo", afirma, destacando que mesmo com a ansiedade natural, a disciplina garante o resultado.
Esses depoimentos mostram que, por trás da alegria e da energia do Carnaval, há uma dedicação intensa à saúde vocal, unindo ciência, tradição e paixão para que a magia do samba-enredo ecoe perfeita na avenida.



