Galo Gigante inicia montagem na Ponte Duarte Coelho com expectativa de cortejo histórico
A emblemática escultura do Galo Gigante, símbolo do maior bloco de carnaval do mundo, começou a ser montada na Ponte Duarte Coelho, no Centro do Recife. A estrutura impressionante, com mais de 30 metros de altura, ainda está deitada sobre a via, mas já atrai uma multidão de foliões e curiosos ansiosos para acompanhar cada etapa da preparação.
Cortejo inédito levará coração cenográfico à escultura
De acordo com o artista plástico Leopoldo Nóbrega, responsável pelo design do Galo desde 2019, uma novidade marcante será realizada nesta terça-feira (10). "A gente vai ter um fato histórico, que é uma caminhada para levar o coração do Galo, que sai do Convento de Santo Antônio [na Rua do Imperador] até a Ponte Duarte Coelho. É uma ação inédita, que é uma parte da escultura sendo levada em cortejo", afirmou Nóbrega com entusiasmo.
A expectativa é que a alegoria seja erguida na quarta-feira (11), completando a montagem que já mobiliza a cidade. O coração cenográfico, que será colocado no peito da escultura, promete ter uma luz que sairá do centro do monumento, simbolizando a pulsação e o brilho da homenagem.
Homenagem a Dom Hélder Câmara e temas de sustentabilidade
Neste ano, o Galo Gigante carrega o tema "Galo Folião Fraterno", prestando uma merecida homenagem a Dom Hélder Câmara (1909-1999), arcebispo de Olinda e Recife entre 1964 e 1985. "Dom Helder é atemporal. Neste ano ele faria 117 anos, mas, na verdade, ele permanece para sempre em nossos corações", completou Leopoldo Nóbrega, reforçando a importância da figura religiosa para a cultura local.
A escultura de 2026 mantém a mesma estrutura dos últimos sete anos, com cores predominantes em azul, branco, verde e amarelo, além da crista vermelha. Destaques incluem:
- Uso de material reciclado, como tampas de garrafa PET e CDs
- Leques inspirados na estrutura do DNA humano na cauda
- 27 estrelas no pé da estátua, representando os estados brasileiros
- Elementos impressos em 3D através da robótica
O artista enfatiza a mensagem de sustentabilidade: "Todos os materiais que a gente usa são descartados naturalmente, não tem um valor, mas quando a arte passa por eles, quando é feito o artesanato, agrega um valor imenso, que é o valor do ser humano".
Reação dos foliões e expectativa para o desfile
Enquanto a montagem prossegue, uma verdadeira multidão se aglomera para prestigiar o trabalho. Entre os presentes, está o aposentado Severino da Paz, de 61 anos, que participou do primeiro desfile do Galo da Madrugada em 1978. "A primeira saída não tinha isso aqui, não. Só tinha uns trombones nos carros. Eu vim para todos os desfiles", relembra, segurando uma imagem de Nossa Senhora da Conceição em homenagem a Dom Hélder.
Para muitos, é a primeira experiência próxima da escultura. A contadora Jacilene Viera da Silva, de Olinda, confessou: "É a primeira vez que vou para o desfile. Eu gostei mais [da escultura] do ano passado, mas a deste ano também está surpreendente". Já as crianças demonstram fascínio, como Cristhian Diego, de 4 anos, que vê a escultura pelo segundo ano seguido, e João Guilherme, de 3 anos, que matou a vontade de ver o galo ao lado do pai, o encanador Edilson de Brito.
A montagem do Galo Gigante não é apenas uma etapa técnica, mas um evento cultural que antecipa a magia do carnaval recifense, unindo gerações em torno de uma tradição que mistura arte, fé e celebração.