Duo peruano Dengue Dengue Dengue estreia no Brasil com show gratuito em Belém
Dengue Dengue Dengue: show gratuito em Belém marca estreia no Brasil

Duo peruano Dengue Dengue Dengue estreia no Brasil com show gratuito em Belém

Entre ruídos da floresta amazônica, beats eletrônicos pulsantes e o ritmo envolvente da cumbia, dois personagens mascarados tomam o palco da Casa das Onze Janelas em Belém. Projeções hipnóticas, música e imagem se fundem em uma experiência audiovisual inédita que marca a estreia do duo peruano Dengue Dengue Dengue no Brasil. O show gratuito acontece no sábado, 28 de março de 2026, dentro do projeto Amazônia Imersiva, prometendo transformar o espaço em um verdadeiro ritual contemporâneo.

Ritmos latinos e performances visuais

Formado pelos produtores Rafael Pereira e Felipe Salmón, o Dengue Dengue Dengue é reconhecido internacionalmente por sua mistura única de ritmos latino-americanos com performances visuais que transcendem o conceito tradicional de concerto. "Nossa música é pensada para a pista, para conectar as pessoas com o ritmo. Nos interessa romper padrões e explorar ritmos que dialoguem diretamente com nossas raízes culturais", explicam os artistas.

O nome peculiar da dupla, repetido três vezes, carrega múltiplos significados que refletem sua proposta artística. "Dengue é um ritmo cubano tradicional que Enrique Lynch tocava com uma jante de carro, criando um som metálico muito particular. Em Lima, também é uma gíria para a ansiedade que se sente antes de fazer algo que se gosta muito — geralmente relacionada à festa", detalham os músicos. A repetição intencional amplifica justamente essa energia ritualística e festiva que guia todas as suas apresentações.

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Máscaras, vídeos e uma proposta audiovisual completa

Outro elemento fundamental que define o projeto são as máscaras tradicionais peruanas, que são cuidadosamente alteradas a cada novo disco ou turnê, reforçando a proposta audiovisual integrada do duo. "Talvez o outro elemento importante do projeto sejam os vídeos, tanto a proposta visual nos shows quanto os videoclipes. Muitas coisas são concebidas desde o início, em som e imagem", afirmam Pereira e Salmón.

A cantora, curadora e diretora musical Aíla vê na chegada do duo a Belém um encontro simbólico entre territórios culturais. "A chegada do Dengue Dengue Dengue em Belém acende uma ponte potente entre territórios que já se reconhecem pelo som. O que nasce no Peru encontra aqui no Pará um espelho vibrante da música eletrônica produzida nas periferias, como o tecnobrega", destaca.

Cruzamento de referências culturais

A passagem do duo por Belém acontece justamente nesse cruzamento fértil de referências. De um lado, a cena eletrônica latino-americana em constante transformação e evolução; do outro, uma Amazônia que produz suas próprias estéticas musicais e visuais, do tecnobrega às experimentações contemporâneas mais ousadas. No encontro promovido pelo show, o público é convidado não apenas a dançar, mas a atravessar diferentes territórios culturais por meio do som e da imagem.

"Existe algo muito profundo nesse encontro: uma música eletrônica que não nega suas raízes, pelo contrário, amplifica saberes ancestrais dentro de linguagens contemporâneas", analisa Aíla. Segundo ela, a proposta do projeto vai muito além da simples utilização de tecnologia. "Quando a gente fala de imersão, é sobre sentir a cidade e a floresta em múltiplas camadas sensoriais. A música vira paisagem, vira experiência completa, vira narrativa viva que nos transporta", completa.

Integração ao projeto Amazônia Imersiva

A apresentação do Dengue Dengue Dengue integra o projeto Amazônia Imersiva, que ocupa a Casa das Onze Janelas com uma exposição de arte contemporânea amazônida reunindo aproximadamente trinta artistas e coletivos do Brasil e do exterior. A experiência é dividida em ambientes com projeções em 360°, instalações sensoriais avançadas e obras que articulam imagem, som e tecnologia de ponta, convidando o público literalmente a "entrar" nas obras expostas.

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Para a artista visual e curadora Roberta Carvalho, o projeto representa também uma disputa importante de narrativas culturais. "Se por séculos foram projetadas sobre a Amazônia imagens de ausência, violência e estereótipos limitantes, agora projetamos nossa presença ativa e criativa. Uma presença forjada na arte, nas tecnologias que criamos, nos pensamentos que cultivamos e na disputa radical pelos nossos imaginários", afirma com convicção.

O Amazônia Imersiva é apresentado pelo Ministério da Cultura através da Lei de Incentivo à Cultura, com patrocínio do Nubank, em parceria estratégica com o British Council e apoio institucional da Secretaria de Cultura do Estado do Pará.

Informações práticas do evento

Show Dengue Dengue Dengue

  • Local: Casa das Onze Janelas – Belém
  • Data: 28 de março de 2026 (sábado)
  • Horário: 18h (primeira sessão) e 21h (segunda sessão)
  • Entrada: gratuita, com retirada obrigatória de ingressos através da plataforma Sympla

A exposição Amazônia Imersiva segue em cartaz até o mês de maio, oferecendo ao público paraense e visitantes uma experiência cultural abrangente que combina tradição ancestral e inovação tecnológica em um diálogo constante entre passado e futuro.