Custo para botar bloco na rua em BH varia de R$ 8 mil a R$ 900 mil no Carnaval
Os gastos para colocar um bloco na rua durante o Carnaval de Belo Horizonte apresentam uma variação significativa, refletindo as diferentes realidades e propostas das agremiações que animam a folia na capital mineira. Uma análise detalhada revela que os investimentos podem oscilar entre modestos R$ 8 mil e impressionantes R$ 900 mil, conforme o tamanho do desfile e a estrutura envolvida.
Investimentos públicos e privados são cruciais para a festa
Embora os blocos tenham orçamentos bastante distintos, há um consenso entre os organizadores: o apoio financeiro, tanto do setor público quanto do privado, é cada vez mais essencial para garantir a realização da festa. A falta de recursos pode comprometer a qualidade e a continuidade dos projetos culturais que dão vida ao Carnaval de rua em BH.
Conheça os gastos de blocos de diferentes portes
Confira abaixo uma lista com exemplos de blocos que ilustram essa diversidade de investimentos na cidade:
- Quando Come se Lambuza – R$ 900 mil
- Abalô-caxi – R$ 500 mil
- Estagiários Brass Band – R$ 30 mil
- Andacunfé – R$ 8 mil
Detalhes dos investimentos em cada agremiação
O Quando Come se Lambuza, que começou como uma pequena reunião entre amigos em 2014 e hoje é um dos maiores blocos da capital, estima um investimento total de R$ 900 mil para o Carnaval de 2026. Segundo André Melado, fundador e regente do QCSL, as principais despesas incluem trio elétrico, comunicação e uma equipe extensa de aproximadamente 530 pessoas, envolvendo seguranças, coordenadores, brigadistas, motoristas, fonoaudiólogos e músicos. O montante também abrange oficinas de bateria, ensaios de dança e o trabalho de relacionamento com marcas, que são a principal fonte de financiamento. Atualmente, o bloco conta com patrocínios públicos e privados, além de shows realizados ao longo do ano, permitindo que Melado se dedique profissionalmente à agremiação.
Já o Abalô-caxi, bloco que promove o protagonismo LGBTQIAPN+ desde 2017, tem um orçamento de R$ 500 mil para a folia de 2026. Desse total, R$ 250 mil são destinados ao cortejo em si, enquanto os outros R$ 250 mil cobrem o período de planejamento anterior. Gabs Estanislau, gestor administrativo do bloco, destaca que as maiores despesas são com logística e profissionais de apoio, incluindo R$ 42 mil para uma equipe de mais de 150 seguranças, brigadistas e cordeiros, e R$ 31 mil em cenografia. O grupo não paga pelo trio elétrico, utilizando a estrutura sonorizada do governo do estado, e tem uma bateria com 260 integrantes, além de banda, ala de dança e um coral. Estanislau enfatiza a necessidade de mais parceiros privados e de formas não competitivas de acesso a recursos públicos, já que apenas 104 dos mais de 600 blocos de BH receberam auxílio da prefeitura.
O Estagiários Brass Band, criado em 2018 e estruturado como uma fanfarra sem trio elétrico, investiu R$ 30 mil neste Carnaval. Mari Costa, integrante do grupo de produção, explica que o principal gasto foi com a equipe da corda durante o cortejo, além de despesas com água, alimentos, fotógrafos, filmagem, artistas circenses e partituras para os cerca de 200 sopristas. A maior parte do dinheiro veio de um auxílio financeiro da prefeitura, no valor de R$ 24,1 mil, complementado por patrocínios e um caixa próprio mantido com apresentações do coletivo. O bloco espera reunir cerca de 6 mil foliões e ressalta que o Carnaval demanda investimentos crescentes, refletindo o crescimento da festa na cidade.
Por fim, o Andacunfé, que estreou em 2020 homenageando Gilberto Gil, gastou aproximadamente R$ 8 mil em 2026. Pedro Campolina, fundador e regente, detalha que mais da metade do valor foi para sonorização, com o aluguel de um carro de som, enquanto o restante cobriu água, arte gráfica, fotografia, vídeo e aluguel de espaço para ensaios. Surgido a partir de aulas de percussão no Aglomerado da Serra, o bloco tem 85 pessoas na bateria e depende de contribuições dos integrantes, na falta de patrocínio. Campolina estima que seriam necessários pelo menos R$ 100 mil para oferecer cachês dignos e melhorar a estrutura, mas o grupo segue "na raça", mantendo a paixão pela cultura carnavalesca.
Desafios e perspectivas para o futuro
Os relatos dos blocos evidenciam os desafios enfrentados por agremiações de todos os portes em Belo Horizonte. A dependência de recursos externos, a competição por editais públicos e a necessidade de profissionalização são temas recorrentes. Enquanto alguns blocos conseguem atrair patrocínios e se sustentar, outros lutam para manter viva a tradição do Carnaval de rua, destacando a importância de políticas culturais mais inclusivas e de apoio contínuo à diversidade artística da cidade.