Desfiles de São Paulo celebram empoderamento feminino e cultura afro-indígena
Carnaval SP: escolas homenageiam mulheres, negros e indígenas

Desfiles do Carnaval de São Paulo começam sexta com temas de empoderamento e ancestralidade

O aguardado início dos desfiles das escolas de samba de São Paulo está marcado para esta sexta-feira (13), a partir das 23 horas, estendendo-se até as primeiras horas do domingo (15), quando a última agremiação se apresentará por volta das 5 horas da manhã. Ao todo, 14 escolas levarão suas cores, alegorias e sambas-enredo ao Sambódromo do Anhembi, na capital paulista, em uma celebração que promete destacar temas sociais e culturais profundos.

Homenagens ao feminino, ao movimento negro e às divindades

Dentre as escolas participantes, quatro delas escolheram temas que envolvem diretamente o empoderamento feminino, enquanto outras prestam homenagens ao movimento negro, poetas brasileiros, Chico Xavier e orixás, divindades cultuadas no Candomblé e na Umbanda. Ao final da maratona de desfiles, duas agremiações serão rebaixadas para o grupo de acesso, com a apuração oficial prevista para a terça-feira (17).

Primeiras escolas a desfilar na sexta-feira

Abrindo a noite de sexta, a Mocidade Unidos da Mooca entra na avenida com um samba-enredo que homenageia o Geledés, instituto da mulher negra. A letra busca reverenciar o poder feminino negro, descrito como "a força invisível que transforma o mundo desde a sua criação". Logo em seguida, às 0h05, a Colorado do Brás apresenta um enredo que resgata o termo "bruxa" para ilustrar mulheres perseguidas por seu conhecimento, propondo uma consagração que renasce em cada mulher.

Programação completa dos desfiles

Sexta-feira (14)

  1. 23h - Mocidade Unidos da Mooca
  2. 0h05 - Colorado do Brás
  3. 1h10 - Dragões da Real
  4. 2h15 - Acadêmicos do Tatuapé
  5. 3h30 - Rosas de Ouro
  6. 4h35 - Vai-Vai
  7. 5h30 - Barroca Zona Sul

Sábado (15)

  1. 22h30 - Império de Casa Verde
  2. 23h35 - Águia de Ouro
  3. 0h40 - Mocidade Alegre
  4. 1h45 - Gaviões da Fiel
  5. 2h50 - Estrela do Terceiro Milênio
  6. 3h55 - Tom Maior
  7. 5h - Camisa Verde e Branco

Temas variados e homenagens especiais

A Dragões da Real, que desfila a partir das 1h10, homenageia as guerreiras Icamiabas, protetoras da floresta Amazônica, destacando a conexão entre mitologia e meio ambiente. Já a Acadêmicos do Tatuapé aborda a pluralidade brasileira e críticas à formação colonial com o tema "Muita terra sem gente e muita gente sem terra". A Rosas de Ouro, às 3h20, traz "Escrito nas Estrelas", enredo que vai da criação do universo às civilizações que usaram o céu como guia.

A Vai-Vai dedica seu desfile a São Bernardo do Campo, homenageando o estúdio Vera Cruz, maior parque cinematográfico da América do Sul, com produções como O Cangaceiro (1953) e Estranho Encontro (1957). A escola pretende mostrar um Brasil que se enxerga "com a lente de sua própria alma", utilizando 2.300 pessoas em 21 alas. Fechando a noite de sexta, a Barroca da Zona Sul presta uma ode a Oxum, orixá das águas doces, da beleza e do amor.

Continuação no sábado com mais tributos

As apresentações retornam no sábado a partir das 22h30 com o Império de Casa Verde, que resgata a ancestralidade e o empoderamento feminino com joias negras afro-brasileiras. A Águia de Ouro leva o público a Amsterdã, cidade libertária, enquanto a Mocidade Alegre homenageia a atriz Léa Garcia, indicada ao prêmio de melhor interpretação feminina no festival de Cannes de 1957.

A Gaviões da Fiel defende a floresta e a ancestralidade indígena, e a Estrela do Terceiro Milênio tributa o compositor e poeta Paulo César Pinheiro. A Tom Maior, campeã do grupo de acesso no ano passado, homenageia Chico Xavier, e a Camisa Verde e Branco encerra a noite celebrando Exu, orixá da comunicação.

Onde assistir aos desfiles

A TV Globo transmitirá os desfiles na sexta, a partir das 23h, e no sábado a partir das 22h30. No domingo, a disputa pelo acesso será exibida pela rede Bandeirantes. Enquanto isso, especialistas destacam que a maratona de carnaval pode exigir fisicamente tanto quanto um triatlo, com o corpo entrando em nível de resistência comparável ao de atletas de alto rendimento.