Carnaval de São Paulo 2026 promete ser megafesta com 16,5 milhões de foliões
A uma semana do início do carnaval de rua na capital paulista, a Prefeitura de São Paulo divulgou estimativas oficiais que apontam para a presença de impressionantes 16,5 milhões de foliões durante os oito dias de festa oficial. A gestão municipal, comandada por Ricardo Nunes (MDB), anunciou que a cidade receberá 627 blocos de rua distribuídos por todas as regiões, incluindo 11 megablocos que se apresentarão nos principais circuitos de cortejos.
Estrutura monumental para receber multidões
Para acomodar tamanha quantidade de pessoas, a administração municipal está montando uma infraestrutura robusta que inclui:
- 30 mil banheiros químicos espalhados pela cidade
- 158 pontos de hidratação
- 20 postos médicos com pelo menos 3 médicos cada
- 174 ambulâncias, sendo 32 com Unidade de Terapia Intensiva
- 1.800 profissionais da área de saúde
- 6 tendas com psicólogos e assistentes sociais para acolhimento
Segundo Gustavo Pires, presidente da SPTuris e responsável pela organização do carnaval municipal, 100% da infraestrutura será financiada pela iniciativa privada, marcando a primeira vez na história que a gestão municipal não precisa aportar recursos financeiros diretos na festa.
Calendário e atrações de peso
O carnaval paulistano de 2026 seguirá o seguinte calendário oficial:
- Pré-carnaval: 7 e 8 de fevereiro
- Carnaval: 14, 15, 16 e 17 de fevereiro
- Pós-carnaval: 21 e 22 de fevereiro
Entre as grandes atrações confirmadas estão nomes como Ivete Sangalo, que fará sua estreia no carnaval de São Paulo, além de Léo Santana, Alceu Valença, Jammil, Baiana System, Michel Teló, Thiago Abravanel, Luísa Sonza, Lauana Prado, Gustavo Mioto e o DJ escocês Calvin Harris.
Críticas à organização e falta de diálogo
Apesar dos números impressionantes, organizadores de blocos manifestam insatisfação com a condução do evento. José Cury Filho, coordenador do Fórum Aberto dos Blocos de Carnaval de São Paulo, que reúne cerca de 200 agremiações, critica a demora na divulgação da programação oficial.
"Se o bloco não sabe se vai sair, não consegue vender cota de apoio nem se organizar financeiramente", afirma Cury, destacando que a incerteza prejudica o planejamento e a captação de recursos.
Thiago França, fundador da Espetacular Charanga do França, reforça a crítica: "Estou indo para o meu 11º carnaval, e é a quarta gestão. Quem sabe fazer sou eu, são os blocos que sabem fazer. As gestões são transitórias".
Questão do fomento financeiro
Os organizadores também questionam o modelo de apoio financeiro municipal. Neste ano, apenas 100 blocos foram selecionados para receber até R$ 25 mil cada, totalizando R$ 2,5 milhões em recursos públicos.
Thais Haliski, organizadora do bloco Acadêmicos da Cerca Frango, revela que os custos para colocar um bloco na rua podem ultrapassar R$ 60 mil, valor muito superior ao fomento oferecido. "O recurso não cobre nem metade do custo real", afirma.
O contraste é significativo quando se considera que, no ano passado, o carnaval de São Paulo movimentou R$ 3,4 bilhões e criou 50 mil empregos diretos e indiretos, enquanto o investimento público nos blocos representa menos de 0,07% desse total.
Resposta da prefeitura
A Prefeitura de São Paulo defende sua gestão, afirmando que "o cronograma do Carnaval de Rua 2026 segue a programação divulgada desde setembro do ano passado e não há qualquer atraso". A administração municipal mantém a Central Permanente do Carnaval como canal de diálogo e orientação, com atendimento presencial, por telefone, WhatsApp e e-mail.
Sobre o fomento, a gestão destaca que os R$ 2,5 milhões são destinados a "um dos segmentos do Carnaval, uma festa de grande porte que envolve diversas frentes culturais e de organização".
Impacto cultural versus econômico
Para os organizadores, há uma preocupação com a forma como o carnaval está sendo tratado. "O carnaval está sendo tratado apenas como entretenimento de massa", afirma José Cury Filho. "Ele não está sendo observado sob a ótica da cultura do carnaval de rua de São Paulo, que é de resiliência e resistência".
Thiago França complementa: "O Brasil é conhecido no mundo inteiro pelo carnaval. E eles estão tentando matar. A gente vai ser conhecido pelo quê? O que define o povo são as tradições, as festas, o nosso modo de viver".
Enquanto a prefeitura celebra os números recordes e a infraestrutura monumental, os fazedores de carnaval clamam por mais diálogo, planejamento antecipado e políticas públicas permanentes que valorizem a dimensão cultural da maior festa popular do país.