Carnaval do Rio 2026: Imperatriz e Mangueira brilham na primeira noite de desfiles
A primeira noite dos desfiles do Grupo Especial do carnaval carioca de 2026, realizada no domingo (15) e madrugada de segunda-feira (16) no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, foi marcada por apresentações vibrantes e enredos profundos. Imperatriz Leopoldinense e Estação Primeira de Mangueira emergiram como os grandes destaques, enquanto Acadêmicos de Niterói e Portela completaram o quarteto que cruzou a avenida dentro do tempo máximo de 80 minutos.
Noite de homenagens e celebração das raízes afro-brasileiras
Os desfiles foram unificados por temas que honraram personalidades e celebraram as ricas tradições afro-brasileiras. Cada escola trouxe à avenida uma narrativa única, combinando coreografias impressionantes, alegorias grandiosas e sambas envolventes.
O segundo dia dos desfiles, entre segunda e terça-feira, promete mais espetáculo com as apresentações de Mocidade Independente de Padre Miguel, Beija-Flor de Nilópolis, Unidos do Viradouro e Unidos da Tijuca. Já o terceiro dia, na noite de terça (17) e madrugada de quarta (18), terá Paraíso do Tuiuti, Unidos de Vila Isabel, Acadêmicos do Grande Rio e Acadêmicos do Salgueiro na avenida.
Acadêmicos de Niterói faz estreia histórica no Grupo Especial
Fundada em 2018, a Acadêmicos de Niterói fez sua estreia no Grupo Especial com o enredo "Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil". A escola escolheu a árvore mulungu, ligada a Garanhuns, para contar de forma cronológica a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O desfile percorreu desde a infância humilde de Lula no agreste pernambucano, passando pela liderança sindical no ABC Paulista, até o caminho até a presidência. O próprio presidente esteve na Sapucaí, acompanhado da primeira-dama Janja, e desceu do camarote para cumprimentar um dos casais de mestre-sala e porta-bandeira da escola. De acordo com o livro da Liesa, Janja viria no último carro, mas ela não desfilou.
Imperatriz Leopoldinense homenageia Ney Matogrosso com ilusionismo
Terceira colocada no carnaval de 2025, a Imperatriz Leopoldinense trouxe para a avenida em 2026 uma homenagem ao cantor Ney Matogrosso com o enredo "Camaleônico". Já na comissão de frente, a escola impressionou usando truques de ilusionismo com clones do cantor para representar as diferentes fases de sua carreira.
Com fantasias e carros de cores vibrantes, a Imperatriz também abusou do uso de penas, características em muitos figurinos do artista. Em sua bateria, a escola se inspirou na estética sensual e provocadora do disco "Pecado", de 1977. À frente da bateria, a cantora Iza vestiu vermelho e assumiu a figura de uma serpente, com um adereço que soltava fumaça pela cabeça.
Portela celebra cultura afro-gaúcha com inovação tecnológica
A Portela foi a terceira escola a desfilar, já na madrugada de segunda (16), com o enredo "O Mistério do Príncipe do Bará – A oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande". O desfile foi uma referência à cultura afro-gaúcha e fez uma homenagem ao Príncipe Custódio, figura histórica entre seguidores de religiões de matriz africana no Rio Grande do Sul, estado com o maior percentual de adeptos da umbanda e do candomblé do Brasil.
A comissão de frente trouxe representações dos orixás, com foco em Exu Bará. Em uma inovação na Sapucaí, um integrante da escola passou pela avenida em pé em cima de um drone, chamando a atenção do público e da crítica.
Mangueira homenageia Mestre Sacaca com incidente na dispersão
A última escola a desfilar no primeiro dia do Grupo Especial foi a Estação Primeira de Mangueira com o enredo "Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra". Mestre Sacaca, referência dos saberes afro-indígenas no Amapá que completaria 100 anos em 2026, foi homenageado por seu conhecimento sobre ervas, raízes e seivas amazônicas, usado no tratamento de doenças e no cuidado comunitário, sendo conhecido como "Doutor da Floresta".
Com onças que brilhavam no escuro, a comissão de frente representava os povos e as forças ancestrais. Em um ritual de saudação à natureza, o grupo invocava o xamã Babalaô, que se manifesta em sua forma encantada, o Mestre Sacaca. Ao fim do desfile, um carro alegórico da escola bateu na base do monumento da Praça da Apoteose. Sem conseguir andar, a alegoria começou a prejudicar a dispersão de outros carros, e os componentes tiveram que desmontá-la para tirá-la do lugar. Apesar do incidente, a Mangueira concluiu o desfile dentro do prazo, embalada por um samba que contou com diversas paradinhas da bateria.